9.11.04

Volta ao mundo em 2 horas

Há 3 anos (em novembro de 2001) o mundo perdia o segundo dos quatro integrantes daquela que é, na minha opinião, a melhor banda de todos os tempos. Vinte e dois anos depois da morte de John Lennon, assassinado, Deus resolveu chamar George Harrison, o "beatle tímido".

Exatamene um ano depois, alguns de seus amigos - entre os quais Eric Clapton, Ringo Starr, Paul McCartney e Ravi Shankar - se reuniram para lhe prestar uma homenagem no Royal Albert Hall, em Londres. Um show incrível, uma ode a um dos grandes músicos do século, vindo de outros deles.

O show tem basicamente 3 partes, e demonstra bem a amplitude da música do homenageado. No começo, Ravi e sua filha Anoushka Shankar maestraram uma orquestra de cerca de 50 músicos, tocando músicas indianas, representando o oriente. Para quem não sabe, Ravi foi o líder espiritual de Harrison, desde a época dos Beatles. No intervalo, um show do Monty Phyton (eu não sabia, mas George era um grande fã deles, chegando a produzir filmes como "A Vida de Brian"). Na última e mais longa parte do show, seus amigos o homenageiam tocando cerca de 20 dos seus grandes sucessos, incluindo a carreira solo e os tempos do quarteto de Liverpool. Esta é a parte "ocidental" do show, mas é possível notar, em suas músicas, a influência da musicalidade indiana.

Os grandes momentos do show ficam por conta das mensagens que cada um deixa para George, além da inusitada performance de Paul McCartney tocando "Something" no cavaquinho. Esta, aliás, foi a primeira vez que McCartney e Starr tocaram juntos, oficialmente, desde o fim dos Beatles.

Nos extras do DVD seus amigos contam que, ao contrário do que podia parecer, George Harrison era muito extrovertido e "falava pelos cotovelos". Outra coisa impressionante é a semelhança de seu filho Dhani Harrison com o pai, quando jovem. Numa certa altura do show, Dhani está tocando com um grande poster do pai (igual à imagem acima) no fundo. Poderia se pensar que é a mesma pessoa.

"Concert for George" é um grande show. Uma justa homenagem a um dos maiores nomes da música do século XX. Eu só espero que Deus não tenha pressa em reunir os fab-four novamente, dessa vez lá em cima...

8.11.04

Nômades da boa música....

Se nos anos 80, Brasília foi o berço das grandes bandas do rock nacional, nos anos 90 o mesmo aconteceu com Minas Gerais. De cara, me lembro de 3 bandas mineiras que explodiram no país inteiro no início dos anos 90: Jota Quest, Pato Fu e Skank.

O Jota Quest, na minha opinião, se perdeu muito, do início da carreira pra cá. De uma música descompromissada, começaram a partir para algo mais "popzinho" a partir do terceiro disco, e hoje já estão completamente perdidos...

O Pato Fu mantém a boa qualidade, tendo feito ótimas releituras de músicas antigas, além de ter várias canções "autorais" também muito boas. Há tempos não tem lançado nada, mas quando lançar vai merecer um post...

O Skank é, sem dúvida, o que, dos três, se mantém na mídia de forma mais permanente. O seu último disco, o "Cosmotron", até foge bastante do estilo dos grandes sucessos da banda como "Garota Nacional", "Resposta", "Jackie Tequila", mas não deixa por isso de ser muito bom. Como está escrito no site da banda, algumas baladas servem tanto para "agitar a galera no verão quanto para curtir mais quietinho no inverno".

O que mais chama a atenção neste disco são as letras. O Skank sempre tenta dizer alguma coisa com suas músicas, mas acho que este é o disco mais... "intimista", e mais complexo, neste sentido. É todo sobre sentimentos, impressões (não necessariamente digitais, hehe), sensações... E nada fica muito claro, deixando as letras para uma interpretação subjetiva, que cada um "enxergará" de uma forma diferente.

A minha música favorita é "Nômade", que fala, na minha opinião, de auto-estima, em frases como "A minha casa está onde está o meu coração/Ele muda, minha casa não". Para mim isto diz, basicamente, "eu gosto de mim assim, e me permito mudar, mas nunca deixarei de ser eu mesmo". Outra frase muito boa está em "Amores Imperfeitos": "Sei que amores imperfeitos / são as flores da estação".

Não poderia deixar de falar de "Vou deixar". Tema da novela "Da Cor do Pecado" da Rede Globo, é a mais conhecida do disco, também muito boa, mas que sofre do mal de ter tocado demais nas rádios...

O disco também tem uma boa programação visual. Todo trabalhado (capa, livrinho, CD, material promocional) em laranja, dá bem o clima psicodélico do disco, e deixa bem clara a mudança conceitual da obra em relação às anteriores. Confesso que, quando uma amiga me mostrou o disco pela primeira vez eu achei que eles tinham mudado "demais", mas depois, ouvindo com calma, eles continuam os mesmos de sempre, apesar de terem mudado tanto.

Não duvidem, ou, podem esperar outra surpresa para o próximo disco do Skank. Algo diferente e, para muitos, inesperado. Que talvez decepcione a alguns, mas que certamente vai manter a qualidade de todos os discos anteriores.

6.11.04

Mas o certo é que nós estaremos...


com o Grêmio onde o Grêmio estiver!



Sim, o Grêmio caiu para a segunda divisão. Não, não foi hoje, na derrota para o Paraná, e nem mesmo no último Gre-Nal, algumas semanas atrás. O Grêmio foi rebaixado - pela segunda vez na sua história - quando manteve no poder um presidente fraco, que levou o time ao perigo do rebaixamento por dois anos consecutivos, que não demonstra vontade ou inteligência na administração do clube e que, quando perguntam da falta de qualidade do seu time responde com "mas o nosso site está entre os melhores do país".

Muito obrigado, meu Presidente! Ocorre que eu não sabia que, quando o senhor dizia que estava chegando para conquistar títulos, se referia ao mundo virtual. Sim, por que esse time do Grêmio só tem valor no time virtual. No papel, posição por posição, o time não é tão ruim assim (até certo ponto, soma-se o azar de o Campeonato Brasileiro ser muito parelho), mas os resultados nunca vieram, e nada foi feito para mudar isso.

O goleiro Márcio é, talvez, o reflexo da torcida. Me lembro de uma partida na qual ele foi eleito o melhor do jogo, mas o Grêmio perdeu. Ele respondeu, sério, dizendo que para ele o prêmio não valia nada se o time continuasse perdendo. E é isso aí. Ele é um profissional, e um bom profissional, mas de nada adianta ser reconhecido como um grande goleiro, se o time não se ajuda e o seu esforço não rende frutos.

Observação: independente da situação gremista, eu continuo favorável à fórmula atual: pontos corridos e ida e volta, e também continuo defendendo a idéia de se enxugar o torneio até que sejam 20 times!

Quem me conhece sabe que eu sou "muito" gremista. E não deixarei de ser em 2005. Serei, e espero sinceramente que fiquemos na segunda divisão até que se chegue na final do torneio e volte pela forma correta. Pior do que cair de novo para a segunda divisão, é não conseguir, mais uma vez, subir por seus próprios méritos.

Pois que o próximo presidente gremista tenha a humildade necessária para aceitar seus próprios erros, que respeite a sua torcida nas declarações, e que seja merecedor do apoio da mesma pois, vontade de vibrar com o Grêmio nunca me faltará!

5.11.04

Dom Pixote e Clementina

Não são poucas as pessoas que eu conheço que não gostam do Jim Carrey. A maioria o rotulou como ator de "comédias-pastelão", e nem dá bola para seus filmes "sérios". O único que escapa deste "carma" é "O Show de Truman". Realmente, é o primeiro filme dele sem o tom bobalhão dos primeiros, e é mesmo muito bom.

Mas ele também tem outros filmes, posteriores ao que critica a televisão, muito bons. Dois que eu consigo me lembrar agora são "Cine Majestic" e "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças". O último, de 2004, é muito interessante.

O filme, basicamente (e tentando não entregar nada de importante) é sobre um cara que descobre que a sua namorada o apagou da memória, literalmente. E ele decide fazer o mesmo por que não suporta não significar nada, mas nada mesmo, para alguém a quem se amou, e se ama, tanto.

É impossível falar mais do filme sem entregar o jogo. O que eu digo é que vale a pena assistir. O roteiro é ótimo, Carrey está muito bem, e Kate Winslet (Titanic, Razão e Sensibilidade) também está muito bem.

Na verdade, eu fui assistir a este filme meio sem querer. Quando ele estava em cartaz no circuito comercial eu quis ir, mas não fui. Depois, passeando com uma amiga, acabei assistindo em uma sala de cinema "cultural" de Porto Alegre. Valeu muito a pena. Há tempos eu não era tão positivamente surpreendido por um filme. Pelo cartaz (que não é este aí ao lado), eu achei até que fosse mais um filme no estilo dos primeiros da carreira do Jim Carrey, e o título longo, ao mesmo tempo que me chamava a atenção, não parecia combinar com o filme.

Felizmente, o nome cabe muito bem no roteiro, e a tradução, por milagre, está corretíssima!

Quem não viu no cinema, sugiro que não deixe de assistir quando sair em vídeo. É um filme leve, divertido, mas que não deixa de ter uma mensagem muito importante, na qual eu acredito muito!


P.S.: Para entender o título deste post, só assistindo ao filme!


4.11.04

Ser livre é...


... poder ler um bom livro ao final da tarde!
... poder encontrar amigos, mesmo que de vez em quando, e recarregar as energias!
... saber que, dentre estes amigos, muitos podem ser considerados amigos de verdade, e que eles sempre estarão aí para você!
... fazer o que se gosta, e gostar do que se faz!
... ter seu talento e sua capacidade reconhecidos, mas sem deixar que isto faça acreditar que você é maior ou melhor que qualquer um!
... aceitar críticas com a mesma inteligência com que aceitas elogios!
... gostar de si mesmo, para depois gostar dos outros!
... ter consciência do valor que se tem, sem se preocupar com o que "os outros" vão achar ou deixar de achar de você!
... ter espírito crítico, e auto-crítico. Saber que ter opinião é importante, mas importante também é mudar de opinião!
... saber que haverão dias bons e dias ruins; que os ruins devem sempre servir de aprendizado, e que os bons devem ficar sempre guardados na lembrança!

Fábio Daniel Lunardi Jacques, 04/11/2004

20.9.04

Sirvam nossas façanhas...


... de modelo a toda terra

Há exatos 169 anos começava a maior guerra civil da história brasileira. No dia 20 de setembro de 1835, no local onde hoje a Avenida Azenha cruza a Avenida Ipiranga, em Porto Alegre, os "farroupilhas" declararam guerra ao governo da província, nomeado pelo Império.

Começava ali um dos capítulos mais importantes da história brasileira, e talvez o mais determinante da história e da cultura gaúcha. A Revolução Farroupilha, que duraria quase 10 anos, terminando apenas em fevereiro de 1945 com o tratado de Ponche Verde, marcaria toda a formação de um povo, mesmo quase dois séculos depois.

Apesar de a independência da província ser considerada hoje em dia a grande bandeira dos farrapos, essa não foi uma das razões iniciais do conflito. Estas, na verdade, eram mais econômicas - relacionadas ao charque - do que políticas. Apenas no desenrolar da guerra é que a independência gaúcha foi proclamada e, a partir daí, teve que ser defendida. É claro que ela se tornou uma das senão realmente a principal bandeira da revolução, mas não era assim no princípio.

Até hoje o Rio Grande do Sul cultua seus heróis revolucionários. Bento Gonçalves, Netto, Corte Real, e até mesmo o italiano Giuseppe Garibaldi são alguns dos grandes mitos da cultura gaúcha. São símbolos de homens determinados a defender sua terra - ou seu ideal - até o fim.

A importância do dia 20 de setembro de 1835 para os gaúchos pode ser medido por seus símbolos. A bandeira atual, por exemplo, é a mesma que era utilizada pelos farrapos, cujo significado era um "não" (a faixa vermelha) ao verde-amarelo, então símbolo do Império. O nosso hino, que também enaltece as virtudes dos farrapos, foi composto por soldados imperiais aprisionados numa das várias batalhas vencidas pelos "gaúchos".

Hino Rio-grandense
Como a aurora precursora
do farol da divindade,
foi o Vinte de Setembro
o precursor da liberdade.

Estribilho:
Mostremos valor, constância,
nesta ímpia e injusta guerra,
sirvam nossas façanhas
de modelo a toda terra.

Mas não basta pra ser livre
ser forte, aguerrido e bravo,
povo que não tem virtude
acaba por ser escravo.

É fundamental, para um povo, ter orgulho de sua terra. E nós gaúchos, graças a Deus, temos muito orgulho da nossa. Os que nos olham de fora - e até alguns aqui de dentro mesmo - confundem isso com arrogância ou presunção. Não é o caso. Não é por que nos orgulhamos de ter uma cultura bastante característica - na história, na música, no folclore e na culinária - que nos consideramos melhores ou piores que os demais, ou mais ou menos brasileiros que qualquer outro. Apesar de entender que, no início da Revolução Farroupilha o Rio Grande do Sul esteve perto de se separar, não temos como saber o que aconteceria e não acredito que, hoje, de forma alguma, este seja o caminho.

Sou sim, brasileiro como o Lula. Mas também sou gaúcho, como o Papa!

18.9.04

Novidades..

E aí, caros leitores, tudo bem com vocês?

Comigo as coisas vão indo, mas posso dizer que melhoraram bastante. Terça-feira última, 14/09, eu comecei a trabalhar. Sou Assessor de Comunicação do Tribunal de Mediação e Arbitragem do Rio Grande do Sul - TMA/RS - Justiça Comunitária. É bastante interessante, e acho que vou aprender muito, pessoal e profissionalmente, com este novo desafio. Mais além escreverei - alguns - textos sobre o trabalho que estou desenvolvendo lá.

Pra começar, devo dizer, pela segunda vez aliás, que pretendo estar retornando à rotina deste blog. Como me foi dito, aliás, pelo Presidente do TMA/RS na entrevista que fez comigo antes de eu começar a trabalhar, acho que ter uma ocupação está me animando a escrever.

E, neste primeiro momento, tenho a alegria de anunciar a criação (da qual eu fui um.. auxiliar, por sinal) do "Diário de Viagem". Trata-se do blog de um casal de amigos, a Ana Paula e o Bruno. Pra quem não conhece, ou não sabe, eles vão passar o ano que vem na França. E, como seria dispensável dizer, este será o diário deles. Eles me disseram que, enquanto não viajam, vão contar sobre os preparativos. Visitem! É só ir ao Diário de Viagem!!!

Bom, espero voltar a escrever com mais freqüência. Vamos lá!

Ah! E viva o 20 de setembro!!!