12.11.04

It´s the end of the world as we know it...

Sim, amigos, eu sinto muito mas é verdade. Este planetinha azul aí do lado está chegando aos seus últimos dias. Pelos meus cálculos, o último deles deveria ter sido ontem, aliás..

No dia 11 de novembro de 2004 tudo se tornou possível. Agora, Bush vai pedir desculpas ao mundo por ter sido tão cruel e imperialista, o Lula vai abanar mostrando os dez dedos, o Yasser Arafat (que na verdade não morreu, mas só foi buscar Ytzhak Rabin), vai anunciar a criação do Estado Palestino, os homens pararão de mentir para conquistar mulheres, e as mulheres nunca mais serão falsas umas com as outras. O Flávio Obino vai ser homenageado como um grande presidente, o Inter poderá ser Campeão da Copa Sul-Americana, e eu serei, finalmente, reconhecido como o homem mais bonito do Brasil. Um talento até então ignorado!!

Na sua época, o ataque às Torres Gêmeas de Nova York foi algo inacreditável. O advento da luz elétrica, em seu tempo, também foi. Por motivos diferentes, ambos foram fatos impactantes Entretanto nenhum deles, em nenhum aspecto, chegou perto do que aconteceu no dia 11 último.

E eu, pobre de mim... Se soubesse que o mundo acabaria assim, de surpresa teria agido tão diferente.. Acabei me perdendo na mania que todos temos de achar que temos todo o tempo do mundo. Pelo menos sempre fiz questão que meus amigos soubessem o quanto são importantes pra mim. Contudo, nunca conheci a Europa, nunca conheci, de verdade, o Rio de Janeiro (seu centro histórico, suas praias, suas mulheres), e nem mesmo conquistei uma última namorada. Se eu pudesse escolher, pediria para o mundo acabar no momento em que meu coração se apaixonasse de novo. Assim, pelo menos, morreria com a sensação de paz, de que o futuro vai ser melhor, mesmo que, na verdade, nem mesmo houvesse futuro.

Explico. Neste dia, depois de anos de inatividade total e completa, quando ninguém mais (e, neste caso, ninguém mesmo, nem eu) achava que fosse possível, eu joguei futebol. Calma calma, não se assustem. Dizer que eu "joguei futebol" foi apenas uma força de expressão. O que aconteceu foi que eu entrei em uma quadra de futsal com a intenção de fazer algo minimamente parecido com "jogar bola". Um fiasco, sem dúvida, mas pelo menos foi engraçado. Bem, engraçado pra mim, talvez não para uns e outros lá do pessoal que estava jogando.

Não que algum dia eu tenha sido "contra" jogar futebol ou algo assim. Eu apenas nunca tive muita intimidade com a pelota, e há muito tempo tinha desistido. Acho que sou mais do tipo "intelectual" (leitor, estudante, curioso) do que "atleta". O pessoal da faculdade sabe da minha falta de intimidade com a redonda quase por lenda, por que eles jogavam de vez em quando e eu nunca joguei com eles. Meus amigos de infância (dos quais poucos ainda estão por perto) são as únicas testemunhas desses momentos já há muito perdidos no tempo.

Bem, está registrado. A partir de hoje, tudo pode acontecer.

Então... que tal você começar a deixar comentários aqui no meu blog?

9.11.04

God save the Queen!

Imagino que não seja mais segredo para ninguém que eu adoro a Inglaterra. Para os meus amigos isso é facilmente dedutível por que sabem o quanto eu gosto de Beatles, e de História (assunto para o qual a Inglaterra é um prato cheio!!); e, para os que acompanham o meu blog, os mesmos Beatles são assunto tão recorrente que não fica difícil imaginar a mesma coisa.

O que meus amigos sabem, e aqueles que me conhecem apenas pelo blog talvez ainda não saibam é que eu tenho planos de ir morar lá.

A história é a seguinte: meu avô materno é italiano de nascimento e, graças a isso e a muita insistência, eu consegui minha cidadania italiana, que também funciona como cidadania européia. Isto facilita a minha entrada na Inglaterra, além de me possibilitar trabalhar "de verdade" por lá. É claro que, no início, precisarei ficar nos mesmos "sub-empregos" que todos os outros, mas a cidadania me permite morar lá por todo o tempo que eu quiser. Eu posso até, quem sabe, trabalhar na minha área por lá...

Além de ter a cidadania, eu também tenho amigos morando lá. Já falei com alguns deles, e me disseram que eu posso ficar com eles até que eu me arranje. Ou seja, só me falta um detalhe: grana!!

Bem, tá certo que dinheiro não é exatamente o que se pode chamar de detalhe, mas, de qualquer forma, é o que me impede de ir pra lá "ontem". Quando esta idéia surgiu, há alguns meses atrás, o momento era favorável (eu estava desempregado), mas também faltava o tal "detalhe". Agora, eu voltei recentemente às minhas férias "entre o último emprego e o próximo", o que também atrapalha os planos da viagem.

A minha idéia é a seguinte: conseguir um emprego que pague legal (de preferência o piso, mas vamos com o que tiver que ser), e ir juntando uma grana "na lateral". Se, quando eu tiver obtido a quantia que necessito (valor que manterei em sigilo para não me estender em demasia), eu estiver num trabalho que tenha futuro, profissionalmente falando, eu fico. Caso contrário, pego minhas trouxinhas (apenas as roupas, no caso) e bye bye Brasil!! Meus cálculos preliminares indicam que, se tudo der certo, posso estar viajando no segundo semestre do ano que vem.

Ah! Um último detalhe. Uma graaaaaaaaaaaaaaaaaande amiga minha, colega de faculdade, passou 7 meses lá este ano. Por uma coincidência, ela saiu de lá, em direção ao Brasil, no dia do meu aniversário. É óbvio, e eu não preciso explicar, que a Rainha Elizabeth II, sabendo como eu gosto desta minha amiga, e conhecedora que é dos meus planos de ir conhecer a Grã-Bretanha, quis me fazer um mimo, um agrado. Admito que ela foi muito feliz na sua atitude.

"Your Majesty, I can assure you I´m doing my best to deserve the great gift you sent me"

Volta ao mundo em 2 horas

Há 3 anos (em novembro de 2001) o mundo perdia o segundo dos quatro integrantes daquela que é, na minha opinião, a melhor banda de todos os tempos. Vinte e dois anos depois da morte de John Lennon, assassinado, Deus resolveu chamar George Harrison, o "beatle tímido".

Exatamene um ano depois, alguns de seus amigos - entre os quais Eric Clapton, Ringo Starr, Paul McCartney e Ravi Shankar - se reuniram para lhe prestar uma homenagem no Royal Albert Hall, em Londres. Um show incrível, uma ode a um dos grandes músicos do século, vindo de outros deles.

O show tem basicamente 3 partes, e demonstra bem a amplitude da música do homenageado. No começo, Ravi e sua filha Anoushka Shankar maestraram uma orquestra de cerca de 50 músicos, tocando músicas indianas, representando o oriente. Para quem não sabe, Ravi foi o líder espiritual de Harrison, desde a época dos Beatles. No intervalo, um show do Monty Phyton (eu não sabia, mas George era um grande fã deles, chegando a produzir filmes como "A Vida de Brian"). Na última e mais longa parte do show, seus amigos o homenageiam tocando cerca de 20 dos seus grandes sucessos, incluindo a carreira solo e os tempos do quarteto de Liverpool. Esta é a parte "ocidental" do show, mas é possível notar, em suas músicas, a influência da musicalidade indiana.

Os grandes momentos do show ficam por conta das mensagens que cada um deixa para George, além da inusitada performance de Paul McCartney tocando "Something" no cavaquinho. Esta, aliás, foi a primeira vez que McCartney e Starr tocaram juntos, oficialmente, desde o fim dos Beatles.

Nos extras do DVD seus amigos contam que, ao contrário do que podia parecer, George Harrison era muito extrovertido e "falava pelos cotovelos". Outra coisa impressionante é a semelhança de seu filho Dhani Harrison com o pai, quando jovem. Numa certa altura do show, Dhani está tocando com um grande poster do pai (igual à imagem acima) no fundo. Poderia se pensar que é a mesma pessoa.

"Concert for George" é um grande show. Uma justa homenagem a um dos maiores nomes da música do século XX. Eu só espero que Deus não tenha pressa em reunir os fab-four novamente, dessa vez lá em cima...

8.11.04

Nômades da boa música....

Se nos anos 80, Brasília foi o berço das grandes bandas do rock nacional, nos anos 90 o mesmo aconteceu com Minas Gerais. De cara, me lembro de 3 bandas mineiras que explodiram no país inteiro no início dos anos 90: Jota Quest, Pato Fu e Skank.

O Jota Quest, na minha opinião, se perdeu muito, do início da carreira pra cá. De uma música descompromissada, começaram a partir para algo mais "popzinho" a partir do terceiro disco, e hoje já estão completamente perdidos...

O Pato Fu mantém a boa qualidade, tendo feito ótimas releituras de músicas antigas, além de ter várias canções "autorais" também muito boas. Há tempos não tem lançado nada, mas quando lançar vai merecer um post...

O Skank é, sem dúvida, o que, dos três, se mantém na mídia de forma mais permanente. O seu último disco, o "Cosmotron", até foge bastante do estilo dos grandes sucessos da banda como "Garota Nacional", "Resposta", "Jackie Tequila", mas não deixa por isso de ser muito bom. Como está escrito no site da banda, algumas baladas servem tanto para "agitar a galera no verão quanto para curtir mais quietinho no inverno".

O que mais chama a atenção neste disco são as letras. O Skank sempre tenta dizer alguma coisa com suas músicas, mas acho que este é o disco mais... "intimista", e mais complexo, neste sentido. É todo sobre sentimentos, impressões (não necessariamente digitais, hehe), sensações... E nada fica muito claro, deixando as letras para uma interpretação subjetiva, que cada um "enxergará" de uma forma diferente.

A minha música favorita é "Nômade", que fala, na minha opinião, de auto-estima, em frases como "A minha casa está onde está o meu coração/Ele muda, minha casa não". Para mim isto diz, basicamente, "eu gosto de mim assim, e me permito mudar, mas nunca deixarei de ser eu mesmo". Outra frase muito boa está em "Amores Imperfeitos": "Sei que amores imperfeitos / são as flores da estação".

Não poderia deixar de falar de "Vou deixar". Tema da novela "Da Cor do Pecado" da Rede Globo, é a mais conhecida do disco, também muito boa, mas que sofre do mal de ter tocado demais nas rádios...

O disco também tem uma boa programação visual. Todo trabalhado (capa, livrinho, CD, material promocional) em laranja, dá bem o clima psicodélico do disco, e deixa bem clara a mudança conceitual da obra em relação às anteriores. Confesso que, quando uma amiga me mostrou o disco pela primeira vez eu achei que eles tinham mudado "demais", mas depois, ouvindo com calma, eles continuam os mesmos de sempre, apesar de terem mudado tanto.

Não duvidem, ou, podem esperar outra surpresa para o próximo disco do Skank. Algo diferente e, para muitos, inesperado. Que talvez decepcione a alguns, mas que certamente vai manter a qualidade de todos os discos anteriores.

6.11.04

Mas o certo é que nós estaremos...


com o Grêmio onde o Grêmio estiver!



Sim, o Grêmio caiu para a segunda divisão. Não, não foi hoje, na derrota para o Paraná, e nem mesmo no último Gre-Nal, algumas semanas atrás. O Grêmio foi rebaixado - pela segunda vez na sua história - quando manteve no poder um presidente fraco, que levou o time ao perigo do rebaixamento por dois anos consecutivos, que não demonstra vontade ou inteligência na administração do clube e que, quando perguntam da falta de qualidade do seu time responde com "mas o nosso site está entre os melhores do país".

Muito obrigado, meu Presidente! Ocorre que eu não sabia que, quando o senhor dizia que estava chegando para conquistar títulos, se referia ao mundo virtual. Sim, por que esse time do Grêmio só tem valor no time virtual. No papel, posição por posição, o time não é tão ruim assim (até certo ponto, soma-se o azar de o Campeonato Brasileiro ser muito parelho), mas os resultados nunca vieram, e nada foi feito para mudar isso.

O goleiro Márcio é, talvez, o reflexo da torcida. Me lembro de uma partida na qual ele foi eleito o melhor do jogo, mas o Grêmio perdeu. Ele respondeu, sério, dizendo que para ele o prêmio não valia nada se o time continuasse perdendo. E é isso aí. Ele é um profissional, e um bom profissional, mas de nada adianta ser reconhecido como um grande goleiro, se o time não se ajuda e o seu esforço não rende frutos.

Observação: independente da situação gremista, eu continuo favorável à fórmula atual: pontos corridos e ida e volta, e também continuo defendendo a idéia de se enxugar o torneio até que sejam 20 times!

Quem me conhece sabe que eu sou "muito" gremista. E não deixarei de ser em 2005. Serei, e espero sinceramente que fiquemos na segunda divisão até que se chegue na final do torneio e volte pela forma correta. Pior do que cair de novo para a segunda divisão, é não conseguir, mais uma vez, subir por seus próprios méritos.

Pois que o próximo presidente gremista tenha a humildade necessária para aceitar seus próprios erros, que respeite a sua torcida nas declarações, e que seja merecedor do apoio da mesma pois, vontade de vibrar com o Grêmio nunca me faltará!

5.11.04

Dom Pixote e Clementina

Não são poucas as pessoas que eu conheço que não gostam do Jim Carrey. A maioria o rotulou como ator de "comédias-pastelão", e nem dá bola para seus filmes "sérios". O único que escapa deste "carma" é "O Show de Truman". Realmente, é o primeiro filme dele sem o tom bobalhão dos primeiros, e é mesmo muito bom.

Mas ele também tem outros filmes, posteriores ao que critica a televisão, muito bons. Dois que eu consigo me lembrar agora são "Cine Majestic" e "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças". O último, de 2004, é muito interessante.

O filme, basicamente (e tentando não entregar nada de importante) é sobre um cara que descobre que a sua namorada o apagou da memória, literalmente. E ele decide fazer o mesmo por que não suporta não significar nada, mas nada mesmo, para alguém a quem se amou, e se ama, tanto.

É impossível falar mais do filme sem entregar o jogo. O que eu digo é que vale a pena assistir. O roteiro é ótimo, Carrey está muito bem, e Kate Winslet (Titanic, Razão e Sensibilidade) também está muito bem.

Na verdade, eu fui assistir a este filme meio sem querer. Quando ele estava em cartaz no circuito comercial eu quis ir, mas não fui. Depois, passeando com uma amiga, acabei assistindo em uma sala de cinema "cultural" de Porto Alegre. Valeu muito a pena. Há tempos eu não era tão positivamente surpreendido por um filme. Pelo cartaz (que não é este aí ao lado), eu achei até que fosse mais um filme no estilo dos primeiros da carreira do Jim Carrey, e o título longo, ao mesmo tempo que me chamava a atenção, não parecia combinar com o filme.

Felizmente, o nome cabe muito bem no roteiro, e a tradução, por milagre, está corretíssima!

Quem não viu no cinema, sugiro que não deixe de assistir quando sair em vídeo. É um filme leve, divertido, mas que não deixa de ter uma mensagem muito importante, na qual eu acredito muito!


P.S.: Para entender o título deste post, só assistindo ao filme!


4.11.04

Ser livre é...


... poder ler um bom livro ao final da tarde!
... poder encontrar amigos, mesmo que de vez em quando, e recarregar as energias!
... saber que, dentre estes amigos, muitos podem ser considerados amigos de verdade, e que eles sempre estarão aí para você!
... fazer o que se gosta, e gostar do que se faz!
... ter seu talento e sua capacidade reconhecidos, mas sem deixar que isto faça acreditar que você é maior ou melhor que qualquer um!
... aceitar críticas com a mesma inteligência com que aceitas elogios!
... gostar de si mesmo, para depois gostar dos outros!
... ter consciência do valor que se tem, sem se preocupar com o que "os outros" vão achar ou deixar de achar de você!
... ter espírito crítico, e auto-crítico. Saber que ter opinião é importante, mas importante também é mudar de opinião!
... saber que haverão dias bons e dias ruins; que os ruins devem sempre servir de aprendizado, e que os bons devem ficar sempre guardados na lembrança!

Fábio Daniel Lunardi Jacques, 04/11/2004