23.7.05

Sancho, cadê você!!

"Neste país, está para nascer alguém que venha querer discutir ética comigo... conquistei o direito de andar de cabeça erguida com muito sacrifício, e não vai ser a elite brasileira que vai fazer eu abaixar a minha cabeça. Não vai ser".

Não é preciso ler jornais diariamente para reconhecer o autor desta frase. É claro que se trata do presidente Luis Inácio Lula da Silva. O "presidente Lula", como alguns dizem, ainda com orgulho. O problema é que essa frase não foi dita há 25 anos, nas greves do ABC, ou há 15, na eleição contra as elites e o Collor. Foi dita ontem, em pleno mês de julho de 2005, dois anos e meio depois de a esperança ter vencido o medo.

É o fim. Quando o presidente do país se dirige ao povo dizendo que "as elites" estão contra ele, é porque chegou ao fim. Primeiro: ele foi eleito com o apoio das "elites". Sem estes votos o PT não o teria elegido e não vai eleger mais ninguém. Segundo: o sr. Antônio Palocci - até agora um dos poucos ainda "ilesos" nesta história toda - faz exatamente o jogo dessas elites. Pior, é duramente criticado pelos empresários "neo-liberais" por causa do excessivo cumprimento das "regras".

A impressão que me deu ao ver, e ao ler, esta declaração, é a de que o presidente enlouqueceu. Parece que ele quer se colocar de vítima, chamar o povo às armas ou a sei-lá-o-que, para evitar "o golpe das elites". Acorda, presidente. Pode até ser que alguns tenham interesse na sua queda, sem dúvida. Mas ir, supostamente, para a imprensa internacional e dizer que - quando teve recursos "não contabilizados" - o PT "fez o que todo mundo no Brasil faz" é, no mínimo, ignorância da sua parte, senhor Chefe-de-Estado do Brasil.

Na verdade, tudo isto é verborragia sua. Não adianta lutar contra fatos. Os presidentes anteriores foram corruptos? Sim, sem dúvida, é possível até se afirmar que todos foram. E todos foram cassados e punidos? Não, nem todos. Mas isto não lhe dá o direito de fazer o que quer. Não é por que alguém mata uma pessoa e não vai preso que eu posso me sentir no direito de matar qualquer um, ou é?

Aliás, isso me lembra do seu amigo, Delúbio Soares. No depoimento a CPI ele afirmou se considerar um homem honesto. Entretanto, ao ser perguntado por que fez os empréstimos inexplicáveis, disse que "o PT estava em dificuldades e precisava de dinheiro". Então quer dizer que se eu precisar de dinheiro eu tenho o direito de obtê-lo da forma que eu puder, é isso? É isso que o seu partido está afirmando para um país de pobres como é o nosso?

Dar status de ministro ao Presidente do Banco Central para ele não ser processado foi o primeiro erro. Os culpados serão punidos? Cortar da própria carne? Lindo discurso, mas e a ação?

Antes disso, por sinal, o caso dos Bingos, ainda em 2004. O então chefe da Casa Civil José Dirceu foi afastado, ao menos para investigações?. Nunca houve nem o afastamento, nem as investigações. Ele só caiu agora, quando todo o seu governo começou a desmoronar. Tarde demais...

Presidente. Seus inimigos não são moinhos de vento, são homens. E também não são "das elites", são do seu próprio governo e do seu partido. A oposição, como bem lembrou um deputado numa das sessões da CPI dos Correios, está frustrada. Em quase 3 anos de trabalho não conseguiu criar nenhuma crise. Esta, presidente, que vai acabar muito além do que o senhor insiste em não enxergar, foi iniciada por um ex-aliado seu, como retaliação por ter sido vítima da arrogância petista de achar que era só jogar ele (o ex-aliado) aos leões e o problema dos Correios terminava.

Cada dia que passa o senhor está mais isolado. Primeiro foi o "Zé", depois a direção do PT - que, nas suas palavras, já estava prejudicada por ser composta pelo "segundo time", já que o primeiro estava com o senhor no governo federal. Agora Ministros. Como se não bastasse, Olívio Dutra sai para entrar um ex-ministro do tão amaldiçoado ex-presidente Collor. Não é mesmo irônico?

Eu me pergunto. Onde andará o Sancho Pança deste nosso Dom Quixote? Alguém por favor o encontre, e diga-lhe para avisar ao Lula de que ele não é mais o metalúrgico grevista, mas sim o presidente "neo-liberal" que governa com as elites.

Sancho, cadê você!!
2075

11.7.05

A máquina do tempo...


Aí está ele. Depois de 20 anos de uma longa espera, aí está ele. Construído pelo Dr. Emmet L. Brown, e grande astro da minha trilogia cinematográfica favorita, ele finalmente chegou!!! O Delorean. Modelo "1955-2", digamos. Fabricado em 1999 pela Universal Studios.

Eu o queria há muito tempo . Depois, perdi a esperança - pois precisava importar - e acabei esquecendo. Até que na semana passada um amigo de infância, com quem não falo há muitos anos, me ligou para avisar que o havia visto, a venda, no Iguatemi. Não tive dúvidas, iniciei o lobby imediatamente, e consegui, pelo ineditismo da situação, adquirir o dispendioso souvenir.

É a típica coisa que não tem valor para 90% das pessoas. Mas para mim tem, e muito.

Ele está aqui do meu lado, onde um dia esteve uma televisão. Olho para ele e, pode parecer ridículo, quase vejo ele se mexendo. A minha imaginação vai longe... Por segundos eu viajo no tempo lembrando todos os lugares por onde ele passou durante a trilogia. Como será andar em um carro desses? A mim, sinceramente, emocionaria muito. Só de me imaginar abrindo a porta e puxando ela para cima.. meu Deus!!

Logo que cheguei em casa coloquei o filme no DVD para comparar. São idênticos! As portas abrem, o capô também, o Mr. Fusão está lá, assim como o capacitor de fluxo, os circuitos do tempo e todos os outros detalhes internos e externos, fidelíssimos!!

Diariamente, nós viajamos em 3 dimensões. Eu sei que é estranho colocar assim mas, fisicamente é o que acontece. Enquanto nos movimentamos, viajamos na largura, na profundidade e no volume do cosmos. Ainda não passamos disso. A quarta dimensão seria o tempo que, mesmo sendo relativo, ainda nos acompanha constante e inexoravelmente. Esta, por enquanto, só vencemos na ficção...

A pergunta que sempre me fazem é: para onde eu gostaria de ir? Questão dificílima... algum lugar/momento histórico? Meu passado? Meu futuro? Talvez várias gerações a frente? Não sei.. Eu acho que o que me apaixona nesta coisa de viajar no tempo nem é "visitar" este ou aquele acontecimento, mas a "simples" possibilidade de fazer isso. Não para mudar ou desfazer, mas para conhecer. Para desromantizar e para entender sim, mas para compreender e me decepcionar quando fosse o caso, também...

Pois bem, eis que o Delorean ela finalmente chegou ao seu último destino. 11 de Julho de 2005, aproximadamente 21 horas. Anos depois (ou antes?) de sobrevoar a Hill Valley de 2015, e de andar sem pneus por trílhos de uma ponte que ainda não existia, ele agora está aqui, eternamente estacionado no meu quarto.....
1972

8.7.05

Viva o febeapá!

Como bem lembrou o saudoso Stanislaw Ponte Preta, no seu Febeapá (Festival de besteiras que assola o país): "O mal do Brasil é ter sido descoberto por estrangeiros".

São pérolas como estas, proferidas por autoridades e personalidades do nosso país que fazem com que sejamos, ao redor do mundo, reconhecidos como um povo bem humorado. Também, como levar a sério um país em que um ministro de governo diz, em alto e bom som, que a sua cachorrinha "é um ser humano como qualquer outro"? (Magri, governo Collor). Ou talvez o país do terceiro mundo onde seu presidente, ao responder sobre o que faria se seu pai tivesse que viver com um salário mínimo, respondesse: "Dava um tiro na boca" (João Baptista Figueiredo, 1980). Ainda, onde o presidente do maior partido de esquerda diz que assinou um documento sem ler, sendo este "documento", um simples empréstimo da ordem de R$ 2.400.000,00, cujo avalista era um "publicitário" "desconhecido" pelo tal político?



Será possível que somos tão idiotas assim? Pior do que isto. As versões mudam como se ninguém tivesse ouvido o que se falou antes. Eu entendo que é complicado ter sido descoberto em algo nitidamente ilegal, mas vamos com calma, né? Primeiro de abril é só uma vez por ano...

A situação está extrapolando a simples inversão de discursos. Agora, os que não tem nada a ver com a história, e querem apenas descobrir a verdade, fazem perguntas objetivas (não sem antes discursar, é claro), enquanto os envolvidos tentam desqualificar a investigação e suas testemunhas das maneiras mais, com o perdão do trocadilho, incríveis.

Visualizem. A secretária do tal "publicitário" está prestando depoimento. Demonstra, por fatos, que algumas das suas afirmações anteriores já foram comprovadas por investigações da Polícia Federal e da própria Comissão que a entrevistava naquele momento. Tudo correndo muito bem, algumas contradições com o que outros afirmaram, mas dentro do esperado. Não menos que de repente uma ilustre senadora catarinense do partido do governo começa o seu interrogatório. Entre outros requerimentos, a mesma solicita que se investigue o nome do amigo de colégio da depoente que arrumou o computador dela, nome da empresa de RH que a levou a trabalhar na empresa de Marcos Valério, e pede que se verifique a coincidência do sobrenome do marido da inquirida com um vereador do PTB no interior de não-sei-aonde (terra da depoente, mas de qualquer forma, supondo sei-lá-o-que).

Podem ser úteis? Talvez quem sabe entretanto porém contudo sim. Mas até lá, perderam-se 15 preciosos minutos de questionamento, e outros tantos de investigação (para executar os tais requerimentos).

Outros parlamentares deixaram aflorar o seu lado "brasileiro" e bem humorado para fazer as indagações. O gaúcho Pompeo de Matos (PDT), disse que ia "permanecer sentado e se agarrar na mesa" antes de anunciar ter descoberto que o valor movimentado pelas empresa do envolvido entre 2001 e 2004 chegava a 1 bilhão de reais.

Um bilhão de reais, em talvez 5 anos? Sendo 20 milhões tirados em dinheiro vivo, e em malotes de centenas de milhares. Primeiro para comprar gado, depois pagar fornecedores, e por último (até agora) re-depositar? Sr. Marcos Valério, chega mais.. tu acha que eu sou quem? O Bozo?

Aí nasce outra pergunta. Como um pseudo-publicitário movimentaria 1 bilhão de reais em 5 anos? Consideremos ainda: o seu patrimônio, até o início deste período era milhares de vezes menor do que isto, e mesmo hoje, este patrimônio não chega nem perto da metade deste valor. Outra: ele nem mesmo é sócio de algumas das empresas, senão apenas marido da sócia. Ou seja, praticamente nada disto está, legalmente, em seu nome. Por que não estão em seu nome, se está claro que é ele quem exerce a chefia das tais empresas? Em última análise, quem sabe, ele poderia até não ter que responder sobre estas movimentações.

Está claro que, na verdade, o empresário é apenas o "laranja" - outro termo inteligentemente explicado pelo deputado gaúcho - de um esquema de corrupção muito maior do que ele próprio pode imaginar. Se ele tem culpa? Tem, claro que tem, e muita. Mas ele não é um golfinho, muito menos um tubarão nessa história. Talvez um linguado, ou um peixe-palhaço perdido no caminho para a escola....

Bem humorado? Sim, também somos bem humorados, senhores estrangeiros. Mas o nosso maior problema é que, por trás desta cínica alegria, existe um povo que não se leva a sério. Enquanto for assim, continuarmos vivendo o Febeapá...
1942

6.7.05

O medo contra o crime

Um menino com medo de morcegos perde seus milionários pais voltando para casa numa noite de ópera. Decidido a vingar a morte dos pais, ele resolve se transformar, depois de adulto, no maior inimigo do crime de Gotham City.

Esta é praticamente a história clássica do Batman, que todos conhecem. Dirigido por Tim Burton no final dos anos 80, teve 3 seqüências que fizeram do homem morcego o super-herói mais vezes filmado - por hollywood - nos anos 90. Em 2005, com Batman Begins a história recomeça.

O filme de Christopher Nolan não é o que se pode chamar de uma refilmagem. Como a origem deste novo roteiro está em uma série especial dos gibis do homem morcego - também lançada no fim dos anos 80 -, alguns detalhes importantes são diferentes da história "original".

Mais do que os fatos, a maior diferença entre as duas versões é o "peso" que a porção psicológica do milionário e órfão Bruce Wayne tem nesta nova produção. Se antes já ficava claro que o Batman era fruto da vontade de vingar a morte de seus pais, agora se torna transparente o fato de que a máscara é também, fruto do medo. São os medos de Bruce Wayne que o fazem se tornar um justiceiro. Não se trata de alguém que deseja simplesmente ajudar aos outros, mas sim que vive uma luta constante contra si mesmo, e contra seus medos.

A fotografia do filme mais "séria" do que os anteriores e o bom roteiro ajudam a criar a atmosfera gótica deste atormentado Bruce Wayne. Christian Bale está muito bem na pele do maior herdeiro de Gothan, e as participações de Morgan Freeman, Michael Caine, Katie Holmes, Liam Neeson e Gary Oldman também contribuem para que este seja o melhor filme da série Batman de toda a história.

Só é capaz de amedrontar alguém aquele que domina seus próprios medos. É isto que faz de Batman um super-herói sem nenhum poder extraordinário.
1917

2.7.05

Sobre o que escrever?


Assuntos, tenho vários. Talento, Mário Quintana, Ayrton Senna, 6 anos, amor, amizade, auto estima, música, cinema...

Tempo? Também.. Segundas, terças, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos...

Então o que falta? Inspiração? Graças a Deus não, eu tenho pensado em coisas para dizer quase que constantemente. Não ter onde publicar, talvez? Claro que não, afinal, aqui estou eu...

O que falta é ânimo. O problema é a velha e já tão falada falta de ânimo. Aliás, eu não tenho escrevido nada por que eu sinto que qualquer texto que eu escrever agora vai ficar assim, pesado, para baixo... Mas desta vez eu não vou deixar!

Esse período "parado" está me possibilitando rever conceitos importantes. Quer dizer, eu estou aproveitando este tempo para repensar algumas coisas. Ao contrário do que talvez aconteceria com a maioria das pessoas, eu não me sinto desvalorizado profissionalmente por causa desta fase ruim. Eu entendo que cada oportunidade de trabalho é uma nova disputa onde nem sempre vence o melhor, e onde os concorrentes quase nunca são os mesmos. Assim, e levando em conta o mercado do jornalismo no Brasil, o negócio é seguir tentando, porque um dia tudo vai dar certo.

Enquanto este dia não chega, eu vou levando. Uns dias bons, outros ruins, outros muito ruins, outros péssimos e alguns que eu prefiro nem comentar. Contudo, eu dificilmente fico parado. Estou sempre criando alternativas, opções ou mesmo distrações. Nada, é claro, que me impossibilite de assumir um novo compromisso profissional, mas sem nunca deixar de me manter ativo.

O meu lado pessoal é o que está passando pelas maiores mudanças. Apesar de estar vivendo uma época "tranqüila" - pessoalmente falando -, tenho pensado muito em muitas coisas, e acho que a minha auto-valorização está aumentando bastante. Ou melhor, acho que eu estou alicerçando uma nova e maior auto-estima. Isto tem muito a ver com muita coisa, e tudo a ver com quase nada.

Ontem foi o 6º aniversário de um dia muito importante da minha vida. Foi o dia em que eu decidi ser eu mesmo, ao invés de ser o que eu acreditava que os outros esperavam que eu fosse. Desde lá eu venho neste auto-conhecimento que evolui a cada dia, sempre com resultados positivos. Para mim, foi apenas ali que terminou a minha adolescência. De certa forma, ao pararmos de nos preocupar com o que os outros esperam é que começamos a ser indivíduos e nos tornamos adultos. É claro que eu já mudei muito de lá para cá, mas o momento, e a minha essência, permaneceram.

É interessante escrever sobre nada. É livre, a gente abre a mente e as palavras saem. É claro que é preciso manter uma linha, um raciocínio, mas a criação sem dúvida, é melhor. Eu nunca me preocupei em "ter" que escrever neste ou naquele dia. Se forçar, os textos não saem naturais, e assim perdem qualidade. Acredito, inclusive, que isto aconteceu algumas vezes...

Como eu sempre digo, vamos em frente. Como mensagem eu deixo uma frase de um dos meus artistas favoritos. Parafraseando Carlos Drummond de Andrade, Gabriel o Pensador, em uma das músicas do seu novo CD, diz: "no meio do caminho pode ter uma pedra / mas no meio desta pedra pode ter um caminho".
1890

17.6.05

A vida em mais um ato...



Eu sempre ouvi dizer que a melhor época da vida é a época da faculdade. Quando eu estava no colégio eu não concordava pois, para mim, aquilo é que era vida. Em muitos aspectos, eu tinha razão, mas hoje eu sei que nada se compara aos tempos da "graduação".

É uma fase de grandes transformações. Do ex-estudante secundarista dono do mundo até o profissional são quatro anos de muito aprendizado mas, no meu caso, de muito prazer também. Quantos amigos eu construí neste tempo? Incontáveis, graças a Deus.. Eu também tenho muito orgulho de poder dizer que aprendi muito com os professores também, profissional e pessoalmente.

Foram quatro anos fantásticos. No início eu me sentia meio deslocado pois era 4 anos mais velho que a maioria dos meus colegas. Nos assuntos, em algumas preferências culturais e musicais mas, principalmente, nas lembranças da infância, eu tinha que me esforçar para não parecer pré-histórico. Mesmo assim, a turma do início da faculdade marcou muito. Bons tempos das sessões da "279". Hoje eu penso nesta época, de certa forma, como uma infância. Éramos adolescentes despreocupados, com aulas pela manhã e só. Para muitos, o resto era aproveitar. No meio do curso, a mudança de turma. A "349" não tinha, como turma, o mesmo charme da anterior. É inegável, contudo, que os grandes amigos que ficaram são desta segunda "fase". Claro que, dentre estes, alguns já me acompanhavam desde o início desta caminhada.

Na segunda fase, um amadurecimento gradativo, principalmente profissional, começava a tomar forma. O início da vida "jornalista", entre estágios e o primeiro emprego, também ajudou nesta mudança. Não sei os outros, mas eu realmente ficava feliz com as conquistas dos meus amigos.

Um ponto em que eu me sentia diferente dos demais, e às vezes pensava que era por causa da idade, era no trato com os professores. Eu sempre os respeitei (salvo algumas exceções), enquanto muitos dos meus colegas, principalmente no início do curso, só faziam reclamar. Eu me envolvi desde cedo com a faculdade, participando de seus "estágios voluntários", e assim tendo uma vivência, lá dentro, que muitos não tem. Com o fim do curso se aproximando mais pessoas começaram a notar a "utilidade" de alguns professores, mas são raros os casos.

Provavelmente eu esteja enganado, mas hoje eu sinto como se eu gostasse de 90% das cadeiras. Até que não está tão longe disso, mas eu sei que com o tempo a gente passa a romantizar as coisas. Contudo, os professores e colegas que marcaram a minha curta passagem por lá sabem desta importância que tiveram. E isto, para mim, é o que interessa.

Eu não mantenho contato com todos, é claro que não. Mas existe um grupo que eu sei que poderei contar sempre. São pessoas que já me viram vibrando, de felicidade, de raiva ou de decepção. Pessoas muito especiais que aceitam meus defeitos ainda melhor do que eu. Mesmo que não tenhamos mais o convívio diário daquela época, nossas conversas inconstantes de hoje em dia continuam sendo momentos maravilhosos.

Eu tenho muito prazer em dizer que sou famequiano. Ao contrário de muitos, que reclamam do que poderia ter sido, eu sou muito grato pela estrutura que eu tinha lá e pelas oportunidades que tive. Sei como poderia ser bem pior, e é, em quase todas as demais faculdades de comunicação do país. (É claro que o preço era um caso a parte...).

Quantas histórias!!! A disciplina que eu passei sem fazer 1 trabalho; o trabalho que foi bem avaliado sem nunca ter sido concluído; as "aulas" da dupla dinâmica de tecnologia; as externas e as entrevistas; o documentário do último semestre e, é claro, a comissão de formatura e a monografia!!!

Sem dúvida, uma das lembranças que eu guardarei para sempre com o maior carinho se chama Marques Leonam Borges da Cunha. Quem conhece, sabe. O cara é um professor como poucos, e um amigo como menos ainda. A paixão dele pela profissão inspira seus alunos, e a sua simplicidade conquista. É difícil descrevê-lo, mas ele sabe o quão importante é, acredito, para todos nós.

Como eu disse no vídeo de formatura.. Aqui se encerrou uma importante batalha, mas a guerra, da vida, continua...
1813

5.6.05

Penso, logo desisto...



"Era uma vez uma menininha. Ela se chamava Narizinho e vivia com a avó num sítio. Lá também viviam Pedrinho o Visconde de Sabugosa Tia Anastácia e Emília a boneca de pano. Apesar dos perigos que enfrentavam quase diariamente todos eram muito mas muito felizes."

Escrever é um exercício. Todos já leram isto em algum lugar, e eu também já disse isso. E como todo o tipo de exercício, também tem suas peculiaridades. Para mim, uma das coisas mais trabalhosas em escrever é conhecer o uso da vírgula. Em 90% dos casos, é fácil definir onde colocá-la. Aqui mesmo, neste parágrafo, ela já apareceu 5 vezes. Contudo, (6.. ) não me admiraria se alguém viesse me dizer que alguma delas está mal colocada. E, pior do que isto: escrevendo eu volta-e-meia me deparo com os outros 10%, onde os erros são fatais.

Eu não me preocupo tanto pois, como outros escritores já disseram "o indispensável é se fazer entender, e se o texto puder ser perfeito, melhor". É isto aí. Eu até não me importo quando sou corrigido, pois sei que a linguagem escrita é mais formal do que a falada, e que é importante saber escrever bem. Muitas vezes, fui mal interpretado por não ter sabido expor um pensamento. Talvez usando as palavras certas, mas colocando-as de forma equivocada.

A vírgula é, antes de tudo, um importante auxílio que temos para escrever frases mais extensas ou enumerações, por exemplo. Mas a vírgula também serve para pensarmos. Não seria melhor, algumas vezes, ao invés de botarmos um ponto final em alguma coisa, apenas deixarmos ali uma vírgula? Isto não se aplica a qualquer caso, é claro, mas um segundo pensamento sempre é bom.

A vida, no fundo, é feita de vírgulas. A cada escolha que precisamos fazer, temos que parar para pensar. "Contrato mais um ou espero mais um tempo?"; "Primeiro eu faço aquela ligação ou termino o que estou fazendo?"; "Comida japonesa ou churrasco?"; "Cinema ou barzinho?". São intermináveis exemplos, dos mais banais, aos mais importantes. Algumas dessas vírgulas podem definir momentos cruciais e até mesmo toda uma vida.

Às vezes estamos "super ocupados" e acabamos perdendo o contato com os amigos. Passado algum tempo, sentimos falta daquela convivência, e nos perguntamos "por que mesmo nos afastamos?". Fácil resposta.. por que não usamos a vírgula! Desculpem, mas eu não acredito quando alguém diz que está "sem tempo para nada". A não ser que trabalhe de dia e seja guarda noturno madrugadas a dentro, tempo para "dar um alô" sempre se tem. Ainda mais na era da informática, dos e-mails e dos celulares...

Vírgulas também podem ser momentos de prazer. Todos temos nosso problemas, trabalhos, ocupações e relacionamentos que não nos deixam descansar. Mas aí, chega o final de semana, e pronto. Quando possível, largamos tudo e saímos para fazer nada. Exatamente, fazer nada. Chamamos alguns amigos e vamos a algum lugar falar sobre nada, apenas "curtir". E esses são, muitas vezes, os melhores momentos da nossa semana...

Mas, também, não, dá, para, exagerar, e, querer, colocar, vírgula, em, todos, os, momentos, né? Na vida como na escrita, saber usar a vírgula é fundamental!
1729