31.7.06

Por que sou jornalista...



A vida tem seguido em frente... estou bastante ausente aqui no Impressão, mas estou bem. Duas matérias minhas foram publicadas no impresso nestas últimas semanas, e é sobre elas que eu quero falar.

A última, e mais recente, saiu no último sábado. Foi sobre o centenário de nascimento do poeta gaúcho Mário Quintana. O resultado foi muito legal e, só no final, eu pude ver o quanto ela valeu a pena. A sugestão da pauta foi minha. Quer dizer, em fevereiro, quando eu comecei a conversar com o editor do caderno de Cultura do AN eu disse pra ele que gostaria de fazer o centenário pois tinha uma história legal para contar. Minha idéia, minha pauta, minha pesquisa, meu texto (isso é levemente óbvio, ok) e, sim, minhas fotos! Ficou muito boa, e o reconhecimento também tem sido muito legal.

A anterior, que foi publicada no último dia 15 também foi legal, e tem uma história... curiosa.

No meio da semana após a Copa do Mundo eu estava fazendo o meu trabalho diário (do qual eu gosto muito, mas que não tem nada a ver com essas matérias) quando de repente eu ouço alguém na redação dizendo: "O Fábio, o Fábio, o Fábio!!"

Me virei para ver o que passava. Joinville é sede, no mês de julho, do Festival de Dança. O jornal tinha conseguido uma entrevista com o coreógrafo nova-iorquino David Parsons, dono da Companhia que leva o seu nome e que viria para a noite de gala do Festival. Problema: ninguém tinha inglês para fazer a entrevista, que seria por telefone. Aí pensaram em mim, e eu topei.

Fiz um "mídia training" (conversa sobre Dança e sobre a pauta) com uma colega que entende do assunto. Anotei as perguntas que eles gostariam de fazer, sugeri algumas e fui à luta.

Liguei. Tenho essa ligação gravada. No início, nítidamente nervoso, cometi alguns erros de inglês e de postura. Mas no final, deu tudo muito certo, e acabou sendo uma conversa agradável. O coreógrafo sugeriu que eu fosse assistir o espetáculo, e que fosse conhecê-lo no camarim. Disse que ia tentar conseguir as entradas, mas não dependia de mim.

Consegui a entrada, mas em um lugar comum. Não me parecia ter possibilidade de encontrá-lo. Mesmo assim eu fui, e valeu muito a pena. Eu nunca havia assistido um espetáculo de Dança, e achei muito bonito mesmo. Sendo Dança Contemporânea, foge um pouco das coreografias do balé e do jazz, mas não esquece delas.

Dois quadros merecem destaque. Um, onde apenas 2 focos de luz, intensos e curtos, que se cruzavam no meio do palco, iluminavam o que os atravessavam. O resto, penumbra. A dança? Toda feita com as mãos. Isso mesmo, apenas mãos! De uma simplicidade e criatividade absurdos!!

No outro, um dançarino dava pulos altos no ar, abrindo as pernas totalmente na horizonal quando atingia o alto. O detalhe é que não havia qualquer iluminação, se não um flash, que piscava a cada 3 segundos, mais ou menos. O efeito final é que o dançarino parecia estar voando, pois a cada vez que a luz acendia ele estava na mesma posição, mas um metro adiante. Fantástico!

Acabado o show, todos começaram a sair. Eu tinha combinado com uns amigos de encontrá-los na saída do teatro, mas notei que o camarim era acessível a partir da platéia. Resolvi arriscar. Falei com um dos organizadores, e descobri que ele tinha feito o contato entre o jornal e o coreógrafo. Feito! Ele me levou até o cara.

Quando entramos no camarim, a conversa foi mais ou menos assim:

Organização: "- Sr. Parsons, este é o jornalista que lhe entrevistou por telefone e..."

Parsons (já virado pra mim e estendendo a mão): - "Fábio! Como estão as coisas?"

É. O cara se lembrou de mim. É claro que ele não é exatamente o cara mais importante do mundo, mas para um jornalista iniciante foi muito legal. Ficamos conversando enquanto ele auxiliava a sua equipe a se preparar para ir embora.

Para mim, do telefonema ao encontro, foi uma experiência de vida muito legal. Afinal, sou jornalista para conhecer pessoas, culturas e aprender! Sobre o Quintana, também sou jornalista para saber mais, conhecer mais, ir fundo em aspectos novos sobre velhos assuntos, e para falar sobre o que eu gosto para as pessoas. Talvez aí até haja um certo idealismo, mas eu gosto muito de conversar, de comentar, de explicar. E, para isto, o jornalismo é um prato cheio.

Eu amo o jornalismo. Não tenho a pretensão de salvar o mundo, mas, sem demagogia, fazê-lo um lugar melhor sim. Sei que, no mundo de hoje, meu trabalho tem uma função "sócio-comercial", e não me revolto com isso. Me deixem fazer o meu trabalho, e está tudo certo. Eu sei que eu posso.

Sou jornalista por que ser jornalista, para mim, é ser... humano.
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17.6.06

Fala séééééério, seu Casseta...


Há tempos eu queria escrever sobre o Casseta & Planeta. A polêmica com os gaúchos, algum programa especial ou mesmo as imitações. Nunca me vinha nada de útil, que eu considerasse render um bom texto. Bem, hoje não tenho o melhor dos motivos, mas acho que não posso deixar de falar dos "Cassetas".

Eu os acompanho desde que começaram na Globo, na virada dos anos 90. Foram redatores do TV Pirata, eu sei, mas só os encontrei quando foram o "apoio" do "Dóris para maiores" que, por sinal, era um programa muito ruim, capitaneado pela inelembrável Dóris Giese. Depoi sim, veio o "Casseta e Planeta Urgente", mensal no início e semanal há alguns bons anos.

Programas clássicos: Viagens à Itália, e Pelotas/Antartida; Propaganda clássica: a cachaça Tabajara (brincadeira sobre os então famosíssimos "bichinhos parmalat").

Bussunda. Um dos melhores. Presidente Lula, Ronaldinho Dentucho, Maradona, Sérgio Chapelin, "Montanha", Marrentinho Carioca e o recorrente seringueiro: "Ah não, tu vai me dizer que veio aqui só para tirar onda por que eu tiro leite do pau?"

Há um tempo atrás.. alguns anos, eu acho, grande parte dos gaúchos se irritaram com as brincadeiras que o grupo fazia com eles (com a gente, no caso). Eu nunca me estressei. É claro que eu não gosto dessa brincadeira de gaúchos/veados, mas eu gosto do baiano preguiçoso, do português burro, do argentino egocêntrico.. então...

Talvez o Bussunda seja o mais carismático dos cassetas, e por isso esteja fazendo tanta falta. Não sei como vai ser daqui pra frente, mas os que estavam na Alemanha estão voltando para o Brasil, e terça feira o programa será especial, em homenagem ao colega.

É uma situação complicada, mas para decidir como vai ser daqui pra frente talvez eles pudessem aproveitar uma piada deles mesmo. Uma vez, num quadro falando dos Beatles, o "repórter" perguntou para os 3 fab-four então ainda vivos como eles faziam para dividir todo o dinheiro que estavam ganhando com a onda do "Anthology". A resposta, se não me engano dada pelo Bussunda McCartney: "É o seguinte seu Casseta. A gente joga o dinheiro pra cima.. o que o Lennon pegar fica pra ele, e o que sobrar a gente divide entre nós três".

Meu abraço e minha homenagem a um companheiro de incontáveis terças-feiras nos últimos 15 anos.

P.S.: Eu ainda vou comprar minha camiseta do Tabajara...
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2.6.06

Michelle, ma belle...

Amizade. Por mais que a gente saiba o que é isso, às vezes parece que a gente esquece.

Uma das coisas que eu sempre tive bem claras nesses meus primeiros meses aqui em Joinville é que eu estaria lidando com pessoas diferentes, e que por mais próximos que talvez parecêssemos, ainda levaria um tempo para que eu pudesse chamar alguém de amigo, como chamo vários lá em Porto Alegre.

Eu tenho uma amiga em Joinville. Bem, talvez eu tenha mais - e eu não pretendo ser injusto aqui -, mas eu posso dizer com toda a certeza que ao menos uma "joinvilense da gema" eu quero levar comigo, no coração, para sempre.

Michelle Castro, Mi, Bob Esponja, Sra. Dislexia... hehe.. Durante praticamente oito meses nos encontramos quase diariamente para trabalhar e fazer festa, sem cansar. É claro que discutimos algumas vezes, até brigamos (segundo ela, a ponto de parecer que nunca mais íamos nos falar). Nos últimos 40 dias enfrentamos, juntos, o maior desafio da nossa ainda curta carreira profissional, quando a nossa querida editora precisou se ausentar.

Mi. Eu mesmo me surpreendi com a forma como senti a tua falta nestes dias. Nossas conversas, nossas besteiras, nossos estresses, a michellite e a lunardite.. Ah... tão perto (no tempo e no espaço), e ao mesmo tempo tão longe...

Te adoro "alemoa". Obrigado pelos toques, pelos conselhos, pelas discordâncias, pelas caronas, pelas festas, pela festa de aniversário na "redação", pela caminhada até o Mueller, pelas trocas de horário quando eu precisei, pelas partidas de sinuca, pela força, pelas chamadas de atenção, pelos elogios, pelas demonstrações de carinho, pelo McDonald´s e, é claro, por ter sido a primeira pessoa que eu encontrei nessa minha nova cidade. A gente já comentou isso várias vezes, mas a verdade é que a vida acontece assim.. meio por acaso...

Tudo de bom neste teu novo desafio. Tenho certeza que vai dar tudo certo, e o mundo vai começar a conhecer a excelente jornalista com a qual eu tive o prazer de trabalhar diretamente nestes meses. Te amo demais, viu?

Ah.. antes que eu me esqueça.. não te preocupa que eles não vão te "desmascarar", viu? Não tem nada escondido aí.. :-D

Assinado:
Irish man
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17.4.06

Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou...



Eles ficaram ofendidos com a afirmação
Que reflete na verdade o sentimento da nação
É lobby, é conchavo, é propina e jeton
Variações do mesmo tema sem sair do tom
Brasília é uma ilha, eu falo porque eu sei
Uma cidade que fabrica sua própria lei
Aonde se vive mais ou menos como na Disneylândia
Se essa palhaçada fosse na Cinelândia
Ia juntar muita gente pra pegar na saída
Pra fazer justiça uma vez na vida
Eu me vali deste discurso panfletário
Mas a minha burrice faz aniversário
Ao permitir que num país como o Brasil
Ainda se obrigue a votar por qualquer trocado
Por um par se sapatos, um saco de farinha
A nossa imensa massa de iletrados
Parabéns, coronéis, vocês venceram outra vez
O congresso continua a serviço de vocês
Papai, quando eu crescer, eu quero ser anão
Pra roubar, renunciar, voltar na próxima eleição
Se eu fosse dizer nomes, a canção era pequena
João Alves, Genebaldo, Humberto Lucena
De exemplo em exemplo aprendemos a lição
Ladrão que ajuda ladrão ainda recebe concessão
De rádio FM e de televisão
Rádio FM e televisão

Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou
São trezentos picaretas com anel de doutor
Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou....
(Paralamas do Sucesso - Vamo batê lata (Ao Vivo) - 1995)


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O ano era 1995. O século, XX. O presidente, Fernando Henrique Cardoso. O acusador, o líder petista, ex-metalúrgico, pai da moralidade e até então 2 vezes segundo colocado na corrida presidencial Luís Inácio Lula da Silva.

Numa certa entrevista o grande comandante da oposição ao governo FHC e ao recentemente implantado Plano Real dissera que os deputados não passavam de "300 picaretas com anel de doutor", em referência a jóia que recebem ao assumir o posto.

O Brasil inteiro aplaudiu a frase. Era uma definição clara da sujeira que dominava o Congresso Nacional, dita por um homem do povo que, como os outros, estava cansado de tanta corrupção, de ser tantas vezes enganado, de votar e não ser representado como deveria. Enfim, de um homem comum, político experiente, e que enxergava a podridão que dominava o poder federal.

Os Paralamas do Sucesso, uma das maiores bandas do Brasil lança, no seu CD ao vivo, a música "Luís Inácio - 300 picaretas". Chega a ser proibida de tocar em Brasília e tem um show na capital federal cancelado. Viva a democracia.

Mas eis que anos depois, na sua quarta tentativa à presidência, o mesmo ex-metalúrgico que fez a "denúncia" consegue vencer. É eleito presidente, e, como foi repetido à exaustão, diz que a esperança vença o medo.

Passam-se 3 anos. O mar de lama do Congresso se torna uma cachoeira, vinda de cima para baixo. Estão claramente envolvidos, denunciados pelo Ministério Público, ministros e ex-ministros do presidente metalúrgico. Comprovadas coincidências entre datas de depósitos e saques bancários com votações importantes em plenário; envolvimento do ex-presidente da Câmara dos Deputados - também do PT (e que acabaria absolvido na, talvez, maior pizza da História); publicitários famosos; "publicitários" famosos; deputados de partidos da base aliada e de "apoiadores informais".

Todos sabiam, todos admitem envolvimento. Alguns criam teorias para explicar ou suavizar o crime, mas ninguém mais nega participação. Outros, como o mago do marketing Duda "Dusseldorf" Mendonça chegam a admitir coisas que não se sabia para posar de santinho, mas acabaram levando as investigações exatamente para onde não queriam.

Apenas um homem não viu nada, não falou nada e não ouviu nada e não sabe de nada. Luís Inácio "Ali Babá" Lula da Silva.

O pai dos cretinos. O Deus dos cretinos. O f..d..p... dos cretinos. O ex-delator hoje é o líder dos 300 picaretas. Dos quais, 40 (ladrões.. coincidência?) foram indiciados pelo isento, ao que parece, Ministério Público. Aliás, a coisa é tão absurda que este governo se vangloria de deixar as instituições (quase sempre) trabalharem por si só. Seria cômico se não fosse trágico...

E nas pesquisas, ele segue sendo um perigoso favorito. É ridículo. Se por acaso Lula vencer novamente, além de estar se reelegendo (privilégio ao qual ele e seu partido sempre foram contrários), estará se locupletando de uma das mais tristes características do povo brasileiro, a qual, inclusive e principalmente, sempre foi uma das suas maiores bandeiras.

A falta de cultura do povo. De discernimento. De educação. O grau de alienação. Capaz de acreditar que corrupção passiva não é corrupção.

Ainda se encontra na rua pessoas que dizem que este governo não é o mais corrupto da história. Que muito foi feito antes sem que se soubesse. Que só se descobriu tudo isto pois era de interesse da "oposição".

Respostas: Não, não é. Sim, muito foi feito. Sim, é possível que sim.

Contraponto: Não ser o mais corrupto não significa que mereça ser desculpado, ou perdoado, ou ser mantido no poder. Muito continua sendo feito sem que se saiba. Pode ser que sim, mas algo do que se descobriu é pura mentira, ou se descobriu algo que realmente estava lá.

A "República de Ribeirão Preto". Isto foi inacreditável por demonstrar, mais uma vez, a facilidade com que se rouba neste país. Isso significa que se no próximo governo tivermos alguém de Pindamonhangaba, poderemos ter a "República Pindamonhangabense".

Não, eu não acho que o próximo presidente, não sendo o Lula, vá ser honesto. Eu não acho que os problemas vão se resolver. Eu apenas defendo que o Brasil morra sendo enganado por pessoas diferentes a cada mandato, e que o povo acorde para a força da sua mobilização, positiva para protestar, cobrar, reclamar, e negativa para se omitir, se deixar enganar, reeleger.

O próprio Alckmin está se valendo de um discurso "panfletário", de "eu nunca falei em ética, mas sou ético". Acho isso perigoso. Se ele estiver dizendo isto pois é o discurso que cola nesta "massa de iletrados" mas que ele pelo menos tenha um projeto de país, e no momento, seja qual for, ótimo. Agora, se a questão é simplesmente trocar a foto atrás da cadeira presidencial, nos preparemos para um governo turbulento, ou assim espero.

O brasileiro tem que aprender a parar de esperar o salvador. Ele não virá. Se alguém acreditava que o nosso atual presidente era o "esperado", bastaria lembrar que há 10 anos ele mesmo avisou sobre os 300 picaretas que, em sua maioria, continuam lá, e continuarão, se o voto de cada um dos brasileiros não impedir.
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10.4.06

É CAM-PE-ÃO!!


Saudações tricolores!! Que domingo, hein? O meu, ainda que tenha acabado numa noite de trabalho, foi fantástico!! Mesmo tendo sido o ano da segunda divisão (2005) o que eu mais vezes fui ao estádio apoiar o Grêmio em quase 3 décadas, não levava muita fé neste título gaúcho não. Torcia, é óbvio. Estamos na final, então pelo menos joguemos para ganhar. Mas não acreditava. O Inter vinha de 4 títulos gaúchos sem o Grêmio nem ao menos chegar na final, um vice-campeonato brasileiro e é líder do seu grupo na Libertadores.

O Grêmio? É, vencemos árduamente a segunda divisão no ano passado, mas mal havíamos nos recuperado da derrota, em casa, para o 15 de novembro, que acabou com a nossa história na Copa do Brasil deste ano.

Como tinha que trabalhar, e sabia que se fosse ver o jogo na rua isso (de ir trabalhar) não seria uma decisão fácil, preferi ficar no conforto da minha casa e da internet. Na TV, a final do catarinense, que acabaria sendo vencida pelo Figueirense.

Primeiro tempo, 0 a 0. Como não estava vendo nem ouvindo o jogo, não tinha noção de quem estava melhor, mas estava considerando o resultado bem razoável. Ainda que perdêssemos nos pênaltis - como ocorrera contra o 15, por sinal -, mesmo depois de duas partidas não teríamos perdido, em campo, para "eles". Segundo tempo. Eu até estava distraído na internet quando o "óbvio" aconteceu. Fernandão, 1 a 0 Inter. Tudo bem... vamos para o Brasileirão e ano que vem impediremos o hexa colorado.

Lá pelas tantas, apareceu "bolinha" na tela do jogo da TV, o que significava que tinha saído gol em algum dos outros jogos que estavam acontecendo naquele momento. Uma ponta de esperança surgiu até que o narrador anunciou. Grêmio, 1 a 1 em pleno Beira-Rio.

Comecei a ficar nervoso. A narração "online" que eu estava acompanhando estava atrasada e nada de aparecer o empate. O tempo foi passando, o placar no jogo catarinense foi ampliado e, quando eu ia ter uma síncope, apareceu o gol na tela do PC. Dei um berro incrédulo! Olhei, eram cerca de 30 minutos da etapa final.

Como estava com um atraso de alguns preciosos minutos na narração, tinha a impressão de que aquela agonia ia durar uma hora. Antes de o jogo que eu acompanhava chegar aos 45, o jogo lá terminava aos 48. Um a um. Grêmio, campeão gaúcho de 2006.

Inacreditável. Há quatro meses o Sport Club liderava o Campeonato Brasileiro e vinha de 4 títulos gaúchos sem encontrar o tricolor no caminho. Nós, por outro lado, batalhávamos árduamente contra Anapolina, São Raimundo e Santa Cruz pela volta à primeira divisão, depois de 2 anos "batalhando" para cair.

E agora? Dois troféus no olímpico, e nenhum no Beira-Rio. Pouco? Eu acho que o "quase-campeão brasileiro" e "quem-sabe-talvez-pode-ser-numa-dessas campeão da Libertadores 2006" é um adversário respeitavel. É bom ressaltar, entretanto, que o co-irmão manteve a escrita e seguiu fiel a São Caetano (protetor dos eternos vices).

Por que o Grêmio foi campeão? Por que - e isso eu tenho que admitir - o tão contestado - inclusive por mim - Mano Menezes foi inteligente, e o Internacional foi incompetente. Por fim, está na Bíblia. "Mano" matou Abel...

Com o Grêmio aonde eu estiver!! E parabéns a todos nós, gremistas!!
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30.3.06

Se ela dança, eu danço...


Essa foi uma cena lamentável. A deputada Angela Guadagnin (PT-SP) literalmente dançou no plenário da Câmara dos Deputados quando foi anunciada a absolvição do seu companheiro de partido João Magno (MG). A referida parlamentar ainda pediu desculpas "se ofendeu alguém". Ofendeu sim, a minha inteligência.

Na mais branda das hipóteses, ela comemorou a vitória de um amigo pessoal, não importando o que ele tenha feito, mas apenas por serem amigos. Mas espere aí, quem está ali não é a Angela Guadagnin, mas os eleitores que a elegeram, e todos nós que, representativamente, somos cada um dos "513 picaretas". Não há espaço, na Câmara, para demonstrações de afeto pessoal. Ou ela está dizendo que seus eleitores também estão felizes? Aposto que não... ao menos, não todos...

Problemas da representatividade personalista brasileira. Como temos partidos fracos, as pessoas votam em pessoas, que ao chegar lá se julgam no direito de cantar e dançar. Acontece que elas não tem este direito. Se quiserem, comemorem na intimidade, visitem-se, mas não façam isso nas nossas cabeças.

Quem também dançou foi o ex-ministro Antonio Palocci. Numa rápida agonia, o ex-todo-poderoso desabou como Golias, graças ao David "Nildo". Não, o caseiro não é herói. O caseiro é, no máximo, um sopro do vento que derrubou o castelo de cartas do Ministério da Fazenda e, se o povo brasileiro tiver um mínimo de vergonha na cara, decretou o fim da reeleição do presidente Lula.

Eu votei no Lula. Eu apoiei o Lula. Depois de muito tempo criticando o PT, eu apostei neste governo pois acreditava que, como disse o então ministro da educação Cristovam Buarque numa palestra que eu assisti em Porto Alegre ainda em 2003, o Brasil ia fazer "uma longa curva à esquerda, e não simplesmente dobrar". Pois bem, lá se vão 3 anos e nada da tal curva aparecer...

Ao contrário do que os últimos defensores do Lula acham, eu não espero que o próximo presidente não seja corrupto. É esmagadora a possibilidade de ele ser tão ou mais corrupto do que o "Lulinha paz e amor". Entretanto, CPIs, o Ministério Público e a Polícia Federal estão aí para isso.. estão aí inclusive, para serem freados por habeas-corpus concedidos pelo Supremo Tribunal Federal.

O que diferencia o Lula dos demais não é a ética, como muitos por muito tempo acreditaram e alguns ainda assim insistem em enxergar. O que o diferencia é que os outros não prometem que vão salvar o mundo do mal, não fazem depredações quando são contrariados, e não fazem de conta que não sabem de nada do que acontece a sua volta.

Somos todos brasileiros, e todos, sem exceção, usamos o "jeitinho" uma que outra vez. Todos recriminamos isto, mas todos fazemos. Sem demagogia.

Eu acredito que a consciência política do brasileiro está melhor hoje do que estava há 14 anos, quando o Collor caiu. Só que eu também não acho que o povo brasileiro aprendeu a votar, isso leva tempo...

Uma das coisas que as pessoas precisam se dar conta é da força da mobilização popular. Severino Cavalcanti e a remuneração do recesso parlamentar são dois pequenos exemplos de que, minimamente organizada, sociedade e mídia podem impedir que esta babel se desenvolva e, quem sabe até, combatê-la. Em nenhum dos dois casos houve grandes mobilizações, mas em ambos houve uma certa movimentação, e o resultado surpreendeu por não ser favorável aos "senhores deputados".

A própria verticalização é outro exemplo. A discussão de uma lei dessas, por si só, é absurda. Se o partido X defende as idéias A no âmbito federal, como (ou onde) poderia ser possível que numa fração do país (estado) este partido combatesse estas mesmas idéias? O argumento a favor do fim desta lei é a de que "nordeste e sul não necessariamente pensam igual". Ótimo! Então façam partidos diferentes! Ou estás me dizendo que querem o poder pelo poder? (Não Fábio... é impressão tua...). Só no Brasil que o óbvio (verticalização) pode ser debatido. Somos praticamente os sofistas atenienses!!

A dança da ilustre deputada foi quebra de decoro sim! Foi desrespeitoso com o povo, pois colocou a sua relação pessoal acima da relação parlamentar. E se o tal deputado for condenado pela justiça depois? A própria deputada, até onde se sabe, tem alguns processos nas costas do tempo que era prefeita de São José dos Campos. Como poderia ela algum dia defender a ética, e ainda mais agora?

"Não à reeleição em todos os poderes elegíveis". Um adesivo que eu tive há muitos anos dizia isso, e eu não o entendia (pois não sabia o que era reeleição, e nem o que queria dizer "elegíveis"). Pois agora, é isto que eu vou defender. Não também ao voto branco ou nulo, pois voto inválido é voto pelo vencedor!

Não à reeleição, para que nossos nobres deputados pelo menos não possam dançar outra vez sobre nossas cabeças!!
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26.3.06

Parabéns Porto Alegre!!

Hoje é 26 de março de 2006 e Porto Alegre completa 234 anos. Aqui coloco minha homenagem.

Esta carta foi escrita em 2001, na aula de português da faculdade. Entre as coisas que mudaram, é importante ressaltar que naquela época eu sempre passava as férias de inverno em São Paulo. O então senador Fogaça hoje é prefeito de Porto Alegre.

De resto, aviso aos catarinenses desavisados. O ufanismo deste texto é absurdo, propositadamente exagerado, pois é uma declaração de amor. Nada contra coisa nenhuma, apenas amor. É bem verdade que nada disso é mentira hoje, sigo amando Porto Alegre e, se não pretendo mais voltar para lá tão urgentemente, nunca deixarei de ser porto-alegrense de coração.

Eu amo Porto Alegre

"Estando aqui em São Paulo, as pessoas costumam dizer que sou mais um daqueles gaúchos bairristas. No início, eu argumentava. Tentando me explicar acabava me confundindo ainda mais. Depois de um tempo, passei a me pergunta: "Que culpa eu tenho de achar que não há lugar melhor para se viver do que o meu Rio Grande?"

Mais do que amar o Rio Grande do Sul, eu amo Porto Alegre. Cidade açoriana do século 18, palco de muitas guerras, berço onde nasci. Há cerca de 22 anos, a capital dos gaúchos me recebeu, me protegeu e, desde então, me viu crescer. Do hospital Fêmina, onde nasci, até a PUC, onde estou estudando, são mais de duas décadas de uma vida bem vivida.

Muitos percalços, muitos obstáculos, muitas decepções, muitas vitórias. Mais do que isso, muito amor por essa cidade que também acolheu Mário Quintana, que sabia cantá-la como ninguém.

O Parcão, a Redenção, o Marinha. O Olímpico, o Beira-Rio, o Tesourinha. A Osvaldo Aranha, a Nilo Peçanha, a Zona Sul. A Usina do Gasômetro, o seu lindo pôr-do-sol, o Laçador. Tantos lugares, tantas histórias, tanto a conhecer.

Seus músicos também lhe renderam homenagens. Kleiton e Kledir, na antológica "Deu pra Ti", o - hoje - senador Fogaça com "Porto Alegre é demais", e a melhorde todas, "Horizontes", cujo autor, infelizmente, é um ilustre desconhecido.

Até no que se refere às mulheres não há lugar melhor do que a minha cidade. Onde mais a miscigenação fez obras tão divinas? (No interior do Estado, talvez).

Ah, o rio. Como falar de Porto Alegre e não falar no Rio Guaíba? A melhor companhia para quem chega na cidade pela rodoviária, ou para quem gosta, como eu, de passar as tardes de domingo ao seu lado, numa das praias da Zona Sul.

Sinto agora no meu peito a falta que me faz a terra de Simões Lopes Neto. Quero voltar para os churrascos de final de semana, o chimarrão no fim de tarde, e os amigos de todos os dias.

Calma minha amada, também estou com saudades, logo voltarei."
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