30.6.07

Mudança...

Caros leitores do Impressão Digital...

desculpe a demora em escrever.. mas estou de volta!!!

Querem ler os textos novos? Vão para o novo Impressão Digital!!

Até lá!

1.4.07

A-ha! U-hu! A Amazônia é nossa!



Para quem não viu: Na última terça-feira, o senador Álvaro Dias fez um discurso no plenário do Senado denunciando a empresa Arkhos Biotech que, segundo notícia da Agência Amazônia, defende a privatização da Amazônia. Tudo bem, tudo bom... não fosse um detalhe: a tal empresa não existe. Quer dizer, o site existe, e tem tudo: histórico, produtos, sede, vídeos. Tudo lá, tudo falso. Trata-se de uma campanha publicitária do Guaraná Antarctica.

Nobríssima a atitude do nosso louvável senador. Não é função dele checar cada informação que lhe chega sabe Deus como. Em se tratando então de uma agência de notícias especializada, corretíssimo o registro.

A falha, jornalisticamente falando, é da Agência Amazônia. A pessoa que foi na onda da publicidade não conferiu nada, acreditou na primeira coisa que viu na frente, possivelmente, o site da Arkhos. Se tiver sido um jornalista, pior ainda, pois não checou a informação, tendo o dever de saber que nem tudo na internet é confiável.

Agora estão esperneando. A campanha feriu a soberania nacional. Defendeu uma idéia contrária à constituição cometendo um crime presente no código penal. Pera lá. Se o crime está previsto no código penal, tudo bem, tem que pagar. Mas com o tanto que o "crime" não seja o "ferir a Constituição", ok?

A campanha não tem a mínima intenção de privatizar a Amazônia de verdade, e não é algo que alguém vá olhar e dizer.. "boa idéia... vou ali comprar 30%!". Quem defende isso, defendia antes.. Ao contrário, talvez esse rebuliço todo já seja o que a campanha esperava. Tá todo mundo falando no Guaraná Antarctica.

"Ah mas ela dá idéia". Sim, e como a Amazônia é só uma folha de papel, quem pegar, pegou, né? Ah, pára.. Quem por acaso acredita que a Amazônia vai ser privatizada, tem que se lembrar que está no século XXI, e que isso não se resolve com navios piratas e canhões. E os que acham que a Amazônia já está sendo tomada, ou já está na mão de sei lá quem, outra novidade: não é o fato de haver ou não uma propaganda brincando com isso que vai mudar alguma coisa.

O fato é o seguinte. Essa não é, nem beeeeeeeeeeeem de longe, a primeira vez que um boato se torna uma verdade "incontestável" e gera problemas. Para ficar no, talvez, maior clássico da história, eu lembro o caso "Guerra dos Mundos", em que Orson Wells fez uma encenação do livro de H. G. Wells.

É claro que, diferente do fato citado, desta vez a imprensa e o governo estão envolvidos. Mas eu acho isso mais importante como demonstração do poder que a internet pode alcançar do que propriamente uma discussão ético-legal. A TV, o rádio, os jornais e até os formadores de opinião tem seus "perigos" pois podem conduzir "verdades". Mas o que dizer de um mundo cibernético onde nem tudo é o que parece?

Pode-se até debater a questão ética da Agência que publicou a notícia sem verificar a autenticidade. Se for jornalista, poderia até ser responsabilizado.

Enfim, é como o caso dos direitos autorais de músicas na web. O mundo precisa entender que a internet não é "só mais uma coisa". Ela exige e vai continuar exigindo mudanças profundas de conceitos que hoje "regem" o mundo. Conceitos aplicáveis a outros setores/veículos não se aplicam à rede mundial.

Não à privatização/internacionalização da Amazônia! Não ao aquecimento global! Não ao desvirtuamento das questões fundamentais, que incluem meio-ambiente, educação, segurança e emprego! Não à discussões vazias sobre coisas, no fundo, sem a "relevância" que se tenta dar.

Ah sim... vem aí a propaganda do Guaraná Antarctica com o senador Álvaro Dias!

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24.2.07

Só não vale apertar "Stop"



O que você faria se tivesse a oportunidade de conseguir um contole remoto para controlar a sua vida? Voltar aos bons momentos, pular os momentos desagradáveis ou tediosos, ver as coisas de novo e saber como vai ser o seu futuro. Que tal?

É tentador, eu sei. E é disso que trata o último filme do Adam Sandler, "Click". No filme, ele interpreta um jovem pai de família que coloca o emprego acima do afetivo. Confuso com o número de controles-remoto que tem em casa, num certo dia ele resolve comprar um modelo "universal". Sem saber, acaba comprando um controle do tempo...

O controle permite que ele viaje apenas na sua própria vida. Ele não pode, por exemplo, presenciar momentos, no passado ou no futuro, que ele não tenha presenciado de verdade. Não vou falar mais da história, mas vale dizer que é um bom filme, divertido, mas com uma mensagem legal.

A questão, aliás, é exatamente esta. A mensagem. Quando eu vi o trailer no cinema, gostei do filme. Mas, com o Adam Sandler, não esperava nada muito profundo. Achei que seria mais uma boa comédia com ele. E é, mas não é só.

O filme faz pensar. Depois que se vê o que acontece com o personagem de Sandler, a gente pára para pensar. E se fosse comigo? Será que eu faria igual? Será que eu cometeria os mesmos erros? Será que valeria a pena?

Estou tentando escrever sem estragar o filme, mas alguma coisa eu vou ter que dizer. Quem não viu o filme, veja, e se não quer perder a surpresa, pare aqui e volte a ler depois de ter visto o filme.

Continuando... O controle tem uma desvantagem. Conforme você avança o tempo, não há como voltar. Não é para você ficar resolvendo seus problemas, mas sim, para viver o que acredita ser o mais importante. Pode se voltar e rever situações, mas não se pode mais interferir.

A gente vê o personagem perder grandes oportunidades. Por pressa, medo e alguns equívocos, ele acaba complicando cada vez mais uma situação que poderia ter sido resolvida de forma bastante simples, no primeiro e em milhares de outros momentos. Contudo, no calor das emoções, a situação vai apenas ficando cada vez pior até o seu inevitável fim.

Não importa o que pode ser ou o que poderia ter sido. Importa que temos sim, o controle da nossa vida. Nada nem ninguém pode tirar de nós o livre-arbítrio que, para quem acredita, Deus nos deu. Contudo, nem mesmo Deus pode desfazer o que já está feito... Nem mesmo o controle universal resolveria essa..

Eu acho que a pior coisa que pode acontecer com alguém é chegar a uma certa idade com a conclusão de que envelheceu e não viveu, e não soube dar valor às pequenas coisas, à família, às pessoas, aos amigos.

Será que não agimos assim? Preocupados com o que vamos ser, com quem vamos estar, valorizando o amanhã e os grandes momentos. Com medo de ficarmos sozinhos para sempre só por que estamos sós hoje? Achando que ninguém nos dá bola só por que ninguém nos elogiou hoje? O filme faz a gente refletir, mas é como eu sempre digo: O momento é este, o dia é hoje e a vida é agora.

O personagem de Sandler tem uma segunda chance, mas nós não temos. É piegas aprender com os outros, com o cinema, sim, é. Neste caso, contudo, se não for assim, não aprenderemos nunca ou, quando aprendermos, só poderemos lamentar.

Aproveite os pequenos momentos. Reconheça o que você tem e o que você pode. Respeite e admire o que você é. Tenha consciência de que nada vai durar para sempre. Nada, nem os momentos ruins, nem os bons.

O mais importante é ter objetivos e ir sempre e incansávelmente atrás deles. Como se diz, "faça sempre o melhor que você puder, ou você já ouviu falar de "Alexandre, o Médio"?"

Use bem o seu controle. Vale tudo, só não vale apertar stop.
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17.2.07

Gigante pela própria natureza!



É inegável que eu estou passando por um grande momento da minha vida. No profissional, as coisas vão de vento em popa. Tenho um bom emprego e um bom ambiente de trabalho. Tenho desafios e conquistas. Tenho amigos e colegas de profissão. No familiar, as coisas vão bem. Há tempos já não levo a sério as brigas com pai, mãe e irmã. Temos diferenças, mas eu já sei me virar e se alguém não quer entender, vai acabar entendendo.

No pessoal também, tudo certo. Eu falei mais disso no texto anterior. Dos amigos que fiz aqui, e do amadurecimento que isto me trouxe. Na saúde, onde está o grande desafio do ano, o primeiro mês foi promissor. Alcancei todos os objetivos e sigo firme em busca dos próximos. Perdi cerca de 10 quilos desde o início do ano. É só o começo, mas é um belo começo...

Essa perda.. ou melhor, eliminação está sendo fundamental para, talvez, a parte mais importante de todo esse crescimento. O afetivo. Eu tenho nitidamente gostado mais de mim.. se as mudanças ainda não são visuais, eu me sinto bem melhor e mais disposto. Sei onde eu quero chegar e, finalmente, do que sou capaz.

Minha auto-estima continua instável. Às vezes sou o super-homem, às vezes sou o último dos moicanos. A minha auto-confiança, em compensação, vai bem, obrigado. Eu sei que as duas são muito parecidas, mas a diferença é importante. Uma é como você se vê em relação ao mundo.. e a outra é como você vê o mundo em relação a você.

Pois é. Pela bilionésima duzentos e quinze milhonésima quatrocentos e vinte e sete milésima centésima trigésima quinta vez (i.e. 1.215.427.135ª) eu me apaixonei por uma guria. Dessa vez, entretanto, me senti diferente. Eu não me sentia gostando "gratuitamente" de alguém, mas gostando de uma pessoa. De uma menina carinhosa, inteligente, bem humorada e com quem eu me dou muito bem. E mais... diferente de quase todas as outras vezes, me sentia capaz, me sentia "merecedor". Para muitos isso vai soar uma besteira, mas é isso mesmo....

Convivemos diariamente. Trabalhamos e não trabalhamos juntos no horário de trabalho. O detalhe que estraga o início feliz é que ela tem namorado. Isso não me dava medo, não me dava culpa, mas era, claro, algo a considerar.

Cheguei a pensar em desistir. Ou melhor, não desistir, mas esquecer. Eu sabia que não seria a última por quem eu me interessaria, e que estava em um momento da vida - no qual, aliás, ainda estou - em que ali na frente eu encontrarei alguém sozinho para quem poderei me dedicar. Mas aí... ah, mas aí... Aconteceram pequenas coisas sem muita importância mas que, na cabeça de quem gosta, são um perigo.

Eu não queria neurotizar. Fui à luta. Conversei com ela. Não deu, tudo bem... vamos em frente.

Isto foi ontem e eu já me sinto bem. Claro que fiquei triste, e claro que ainda me machuca quando eu penso que "não vai acontecer", mas para mim o mais importante foi ter tomado uma atitude. Acho que eu e ela seguiremos numa boa e, quem sabe, poderemos ser grandes amigos.

Mas eu estou bem. Estou muito feliz em ter aberto o jogo no início, e não ficado pensando em possibilidades enquanto o relógio dava suas intermináveis voltas. Acho, sinceramente, que foi uma grande evolução da minha parte.

E isso tem a ver com o desafio que eu estou enfrentando. Não sem duras batalhas, mas estou vencendo. Aliás, as batalhas que eu estou vencendo são apenas preparação para o "grande desafio", e essa preparação vai "apenas" ajudar a determinar a vitória ou não no final. Bem.. não é assim a vida?

Outro dia eu estava pensando... e cheguei a uma curiosa conclusão...

Eu fui uma criança magra. Na adolescência, naquele ano em que o menino ganha seus 20 centímetros finais, meu peso cresceu na mesma proporção... mas não parou... Eu me tornei gordo - naquela eterna luta contra a balança - e inseguro. Já falei disso várias vezes aqui, mas nunca tinha feito essa associação diretamente.

Aí, agora, para encarar o desafio, eu PRECISO emagrecer. É fundamental e indispensável. Ok, estou fazendo por onde... e os primeiros resultados ( - 10kg) são animadores... E é isso que está me dando auto-confiança, confiança de que eu sou capaz e de que eu posso! Sempre fui um bom amigo dos outros, mas acho que estou me tornando um bom amigo meu... Eu finalmente me amo!!

Aí está! Da forma como eu pensei, a minha absurda e imensurável insegurança está indo embora junto com o meu excesso de excesso de peso. Então, é como se.. daqui a anos, esta insegurança fique concentrada nestes... não sei... 15 anos em que eu fui gordo. Não estou aqui acreditando que serei um cara seguro por isso, e nem que serei maaaaagro. Estou falando de exageros e de baixa auto-estima.

Estou dizendo que estou vencendo meus maiores fantasmas e não estou criando outros. Que, como diz a música, finalmente paguei minhas "contas" comigo e tive minha sentença mesmo sem ter cometido crime nenhum!

Pois é. A vida segue em frente. Amigos casando, outros separando... vamos em frente...


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16.1.07

O ano do desafio



Foi um grande reveillón!! Revéillon.. réveillon.. Bom, sei lá como se escreve isso, sei que foi grande!!

Quando eu estava lá em Barra Velha, nos últimos minutos de 2006, eu tive meu momento contemplativo. Olhei para os amigos que estavam comigo... Uma, a minha primeira amiga em Joinville. O outro, ex-correspondente do AN no interior catarinense e grande companheiro de msn, amigo há poucos meses. A terceira, grande amiga e colega de Portal A Notícia desde abril. A quarta, paginadora/diagramadora do jornal, amiga e parceirona de festa. Ainda teve outra que eu conheci naquela noite, e de quem me tornei amigo nestes primeiros dias do novo ano.

Um grupo especialíssimo. Olhando para eles, eu via um ano inteiro morando sozinho, cheio de conquistas e de grande amadurecimento. Aquele grupo que entraria o novo ano comigo surgiu todo nos últimos 12 meses (ou um pouco mais), mas estavam todos ali, na minha nova vida. Demonstrando que eu era capaz de encarar o mundo, e me sair bem.

Eu nunca tive dúvidas disso, mas nunca também tinha feito. Agora eu olho para 2006 e vejo um ano de grandes mudanças, algumas fundamentais, mas que estão desaguando neste desafiador 2007.

Se o pessoal e o profissional se estabeleceram em 2006, 2007 será o ano do início do crescimento. Tenho um grande desafio para estes primeiros meses. Um desafio maior do que eu, mas que eu certamente vencerei. Não sem esforço, talvez não sem sofrimento, mas vencerei.

Certamente eu sairei desta experiência muito mais maduro do que estou entrando. Ela me trará mais reflexões do que eu habitualmente faço (e olha que eu faço reflexões "pracaralhamente").

Acho que a velocidade dessas mudanças que eu sinto e estou vivendo desde que vim morar sozinho tem a ver com isso. O Impressão Digital sempre foi um lugar onde eu deposito impressões, opiniões, pontos-de-vista, visões de mundo. Contudo, estou num momento em que parece que nada vai durar muito na minha cabeça.

Hoje eu releio alguns textos antigos daqui e me vejo. Alguns são atemporais, outros são jogos de palavras, boas críticas sociais e políticas.. mas uns poucos são datados. Falam de uma pessoa que eu não sou mais. Acho que isso é parte do amadurecer, mas é estranho.

Tenho tido muitas idéias para escrever, mas pouca iniciativa. Não farei promessas, mas pretendo, mais uma vez, escrever mais seguidamente. Talvez textos mais curtos, pequenos comentários... talvez..

Feliz 2007 a todos, e que todos nós possamos estar juntos celebrando as vitórias deste ano no próximo 31 de dezembro!!
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3.12.06

A América estava com saudades!!

Que ano!!

E não falo apenas de 2006. Na verdade, não foi um ano incrível, foram 2!

Quando o Grêmio caiu para a Série B, em 2004, todos pensavam: lá vem o inferno. Eu escrevi sobre isto aqui no ID, e disse que seguiria tão gremista quanto antes.

Mas sobre o que todos pensavam, veja só, todos tinham razão. Jogos de má qualidade técnica, derrotas vergonhosas (Anapolina-GO 4 x 0 Grêmio), vitórias sofridas contra equipes até então com pouca ou sem expressão no cenário nacional (1 a 0 no Santo André e as várias batalhas com o Santa Cruz) até culminar com um jogo inacreditável, no dia 26 de novembro de 2005.

O Grêmio precisava de um simples empate, mas todo mundo lembra o que aconteceu. A "batalha dos Aflitos" (o adjetivo é, também, o nome do estádio onde o jogo aconteceu). Com uma luta absurda, subimos. Série A, estamos de volta, e por cima.

Começou 2006. Campeonato gaúcho. O Grêmio não vencia o torneio desde 2001. Não se esperava muito, ainda mais contra o atual vice-campeão brasileiro, que - ainda não se sabia, mas - seria campeão da américa, pela primeira vez na sua história, poucos meses depois. Com o regulamento debaixo do braço, o Grêmio empata o jogo em pleno Beira-Rio e tira o título dos colorados.


Grêmio campeão gaúcho em pleno Beira-Rio


Em seguida começa o Campeonato Brasileiro. De 20 clubes, pela ordem, 4 seriam rebaixados, 5 apenas sobreviveriam, 7 iriam para a sul-americana, 4 para a Libertadores sendo, um deles, o campeão.

As pretensões gremistas estavam ficar entre os 7 da Sul-Americana. Pensava-se que o início do longo campeonato definiria a sobrevivência, ou não, do tricolor gaúcho. Mais uma vez, projeção corretíssima. Estréia, 2 a 0 contra o Corínthians. Ainda que o adversário acabasse demonstrando que não era mais o super-campeão de 2005, era um bom presságio.

Exatamente um ano depois da "batalha" de Recife, no mesmo 26 de novembro, mas em 2006, o Grêmio vence o Flamengo e garante a vaga na Libertadores e a 3a posição no campeonato. À frente? O campeão mundial de 2005, e campeão brasileiro de 2006, São Paulo, e o campeão da América 2006, Internacional.

Mano Menezes. Em toda esta história, é o nome do treinador que se destaca. Em 2004, enquanto o Grêmio desabava, ele levava o modesto 15 de novembro, de Campo Bom-RS, às semifinais da Copa do Brasil. Em 2005, o time porto-alegrense o contrata a 2 dias da estréia na Série B.

Um início cambaleante, com derrotas marcantes como a já citada goleada para o time do interior de Goiás. Eu cheguei a pensar que tinha que tirar o treinador. A uma certa altura da Série B, eu pensava: "Já era. Se tirar o treinador agora, não tem tempo para outro trabalhar antes das finais e, se ele ficar, não estaremos nas finais." Felizmente, ledo engano.

No final da classificatória o Mano já tinha a confiança da torcida, a ponto de não gerar grandes revoltas pela sua insistência em não escalar o prodígio Ânderson. Veio o título da Série B, o improvável título gaúcho e o Campeonato Brasileiro. Ainda que o técnico campeão Muricy Ramalho deva ser eleito o melhor do campeonato, a simples menção entre os 3 mais competentes na lista da CBF já atesta o nível do treinador gremista.

E depois deste ano fantástico, onde um clube desacreditado subiu, em exatos 365 dias, do inferno da Série B, para o céu da Libertadores, vem aí mais uma temporada. Mais um campeonato gaúcho, mais um Brasileirão e, é claro, mais uma Libertadores. Talvez a mais difícil de todas pois, entre os adversários, São Paulo, Internacional, Santos e Flamengo. Apenas times de primeira linha!! Mas vamos lá...

Até a pé nós seguiremos, para o que der e vier, mas o certo é que nós estaremos.. com o Grêmio onde o Grêmio estiver..
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Tantas coisas...

É.. mais uma vez eu prometi escrever com assiduidade e não cumpri. Mais uma vez, por razão nenhuma...

Eu acho que esta época de incerteza profissional pela qual eu estou passando tem a ver com isto. Não, nada a ver com a minha opção profissional, mas com a empresa onde eu trabalho. Ela foi vendida para a RBS, e havia o medo de que o meu setor, a internet, fosse desmontado em função do clicRBS. Entretanto, e graças a Deus, não é o parece que vai acontecer.

Eu tenho gostado muito das mudanças que eu tenho notado em mim. Eu realmente tenho conseguido brecar impulsos de raiva, de birra e de revolta, muitas vezes, no momento em que acontecem. Já me peguei algumas vezes contrariando a opinião de alguém e, de repente, me perguntando.. mas eu discordo mesmo? Às vezes chegando à conclusão que sim, mas outras - que, neste caso, são as mais importantes - que não.

Esta (26/11/2006) foi a primeira noite no novo apartamento. Bem maior que o anterior, num bairro melhor, mais perto de tudo. Não que o meu apErtamento anterior não fosse bem localizado, mas este aqui fica mais perto do centro, e é numa zona mais... moderna, mais urbana. Além do que, o antigo cabe na sala deste aqui, que tem 2 quartos, e cozinha separada. Muito bom!!

Eu sigo com muito para escrever, e sem escrever por razão nenhuma. Acho que vem aí um catatau de textos... acho!!
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23.10.06

O fim de uma era na Fórmula 1



Justiça seja feita. Numa das corridas mais emocionantes dos últimos tempos, e numa das recuperações mais incríveis que a Fórmula 1 já testemunhou, o GP do Brasil deste ano, disputado no último domingo, em Interlagos, foi um grande final para uma carreira fantástica do polêmico Michael Schumacher.

Até a sensacional e merecidíssima vitória do tupiniquim Felipe Massa serve como parâmetro para, enfim, reconhecer o grande piloto que o seu companheiro e heptacampeão alemão foi. Nos vários anos em que o Rubens Barrichello foi companheiro de Schumacher na Ferrari, nunca ele (Barrichello) teve uma vitória nas mãos do início ao fim, se não naquele GP da Áustria em que, vergonhosamente, o piloto alemão ultrapassou o ex-companheiro a metros da linha de chegada. O fato: mesmo lá, "Rubinho", num ótimo final de semana e correndo mais, não passava de uma sobra do alemão. Massa é profissional, obviamente sabe que Schumacher disputava o campeonato e tinha a preferência, mas nunca deixou de buscar o seu melhor. A ocasão surgiu quando só a vitória interessava a um Schumacher de pneu furado. Ele aproveitou. Barrichello certamente teve suas "ocasiões".. mas aproveitou quantas?

O que eu quero dizer é que, se Schumacher não foi sempre um adversário leal, ele também não merece ser retirado da galeria dos grandes campeões. Mesmo se considerarmos que, 3 ou 4 títulos dele foram conquistados na super-Ferrari sem adversários, sobram ainda pelo menos outros 3 títulos que o deixam, no mínimo, no nível de Ayrton Senna e Nelson Piquet.

Incontáveis GPs para lembrar. As vitórias com a Benneton (quando seu "diretor de equipe" era Flavio Briatore, hoje chefe da adversária Renault), a fatídica corrida que vitimou Ayrton Senna (e impediu que o mundo visse, afinal, um campeonato disputado pelos dois). Contudo, a obstinação do "sapateiro" neste domingo mostra o grande piloto que ele foi, ou ainda, que ele é.

Com problemas de motor, largou em décimo, com o companheiro ferrarista Massa na pole e o adversário Fernando Alonso em quarto. Para ganhar seu oitavo título mundial precisava ganhar e torcer para o espanhol não pontuar. Matematicamente possível, mas improvável.]

Fim da segunda volta, Schumacher é o sexto. Poucas voltas depois, ao tentar ultrapassar o italiano Giancarlo Fisichella na entrada do S do Senna, o bico da Renault inacreditávelmente fura o pneu do alemão. O que muitos fariam? Encosta, e fim de prova.

Não Michael Schumacher. Talvez por ser sua última corrida, talvez pois o carro estava num domingo maravilhoso, mas o alemão voltou para a pista. Naquele momento, poucos metros atrás dele estava Felipe Massa... prestes a lhe dar uma volta. Cinqüenta voltas e uma dezena de ultrapassagens depois, "Schummy" termina a corrida na quarta posição. No domingo em que a Espanha conquistou seu bicampeonato e o Brasil voltou a vencer em casa, a Alemanha viu o maior piloto de sua história fazer uma corrida perfeita, digna de sua brilhante carreira.

Eu mesmo, por muito tempo, fui "contra" o alemão. Torci por Damon Hill, Jacques Villeneuve, Mika Hakkinen e, é claro, pelo próprio Fernando Alonso nos últimos anos, mas não posso, agora, deixar de admitir que Schumacher é um dos grandes.. dos maiores!!

Se é ou não maior ou mais importante que Ayrton Senna. Impossível dizer, e mais difícil ainda, imparcialmente. Senna ganhou 3 títulos em 10 anos, contra o tetracampeão Alain Prost e o "leão" Nigel Mansell. Para a história, Schumacher nunca enfrentou, realmente, um grande campeão. Mas foram 7 títulos em 16 anos. É o maior vencedor da história, quer queiram, quer não.

Alonso, Schumacher, e antes Prost, Piquet, e, é claro, Senna. Estes cinco pilotos certamente dominaram os últimos 26 anos da Fórmula 1 (1981-2006), conquistando, simplesmente, 19 títulos. Os 3 últimos disputaram entre si, o segundo reinou quase sozinho, até a chegada do primeiro.

E isso me lembra que a Fórmula 1 entra em um novo momento. Agora, mais do que sem Michael Schumacher, apenas um campeão permanece. Fernando Alonso. Outros grandes pilotos estão aí: Raikkonen, o próprio Massa, o jovem Kubica e o inglês Jenson Button são alguns dos fortes concorrentes ao título 2007.

Talvez este GP tenha sido o último ato de uma era de grandes campeões. A Fórmula 1 segue, mas, assim como Senna, Prost e muitos outros seguem sendo louvados, jamais esqueceremos de Michael Schumacher.
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15.10.06

É Impressão minha ou ele voltou?!?!



Olha só quem voltou... sim, eu mesmo.. moí!

Pois é.. andei um bom tempo sumido aqui do blog, mais por falta de dedicação do que de vontade ou assunto. Quero e pretendo voltar a escrever mais seguidamente mas não farei promessas. Assuntos não faltam, a começar pela política, que é o assunto do momento, o acidente da Gol, que já está frio, e otras cocitas más...

Hoje, contudo, o assunto é matar a saudade. Dos textos, dos amigos e do Impressão Digital. Ele me acompanha já há três ou quatro anos.. passou por fazes de intensa atividade, e outras, como esta, da mais absoluta ausência. Neste meio tempo, muitos amigos criaram blogs e desistiram, outros que já tinham pararam e alguns heróicos continuam. Blog tem uma coisa legal de ser um espaço livre na web, mas se não for levado a sério, não anda. Durante um tempo eu precisava alimentar o ID sempre, se não me sentia mal. Depois fui deixando a inspiração chegar e, aí, acontecem esses hiatos no movimento por aqui.

Mas acabar com ele nunca foi a idéia. Talvez textos mais sucintos, talvez mais "capitulados". Não sei... o importante é que, mais uma vez, estou de volta!!

E vou aproveitar para comemorar!!


Sim! Na última terça-feira, 10 de outubro, completei 1 ano em Joinville. Um ano morando longe de casa, um ano pagando aluguel e, quase sempre, as contas.

Mas um ano de muito aprendizado. Me conheci e estou me conhecendo profundamente. Algumas coisas eu estou gostando bastante, mas outras, nem um pouco. Agora depende de mim melhorar, e é o que eu estou tentando fazer.

Saudade. Muita saudade dos amigos de Porto Alegre, dos lugares, das histórias, das viagens, das festas, da faculdade. Os encontro sempre que vou para lá mas, mesmo assim, reencontros são ótimos mas nem perto de conviver.

Também não posso esquecer dos amigos que fiz aqui. No próprio trabalho, de fora, de lá e de cá. É claro que, em relação às quase três décadas de Porto Alegre, são poucos, mas eu sei que eles sabem quem são.

Um ano. Quando eu paro para pensar que já moro sozinho há um ano... muito louco. Até uma semana antes de vir para cá, morar sozinho era um sonho distante e, na verdade e naquele momento, bastante improvável. Mas eis que a vida dá voltas, e aqui estou eu...

Por fim, é sempre bom lembrar que estamos em outubro!! Aêêêêêêêêê!! Eis que se aproxima o tão esperado dia 28 em que eu completarei 28 anos! E lá vem os 30, aí está... De um modo geral, estou bastante satisfeito com o que conquistei até aqui, em todos os campos, mas tenho a nítida impressão de que é agora que eu vou ter que mostrar serviço!!! Ser adulto é f...

É isso aí! Reapresentados, agora voltamos à nossa programação normal.. (assim espero!)
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31.7.06

Por que sou jornalista...



A vida tem seguido em frente... estou bastante ausente aqui no Impressão, mas estou bem. Duas matérias minhas foram publicadas no impresso nestas últimas semanas, e é sobre elas que eu quero falar.

A última, e mais recente, saiu no último sábado. Foi sobre o centenário de nascimento do poeta gaúcho Mário Quintana. O resultado foi muito legal e, só no final, eu pude ver o quanto ela valeu a pena. A sugestão da pauta foi minha. Quer dizer, em fevereiro, quando eu comecei a conversar com o editor do caderno de Cultura do AN eu disse pra ele que gostaria de fazer o centenário pois tinha uma história legal para contar. Minha idéia, minha pauta, minha pesquisa, meu texto (isso é levemente óbvio, ok) e, sim, minhas fotos! Ficou muito boa, e o reconhecimento também tem sido muito legal.

A anterior, que foi publicada no último dia 15 também foi legal, e tem uma história... curiosa.

No meio da semana após a Copa do Mundo eu estava fazendo o meu trabalho diário (do qual eu gosto muito, mas que não tem nada a ver com essas matérias) quando de repente eu ouço alguém na redação dizendo: "O Fábio, o Fábio, o Fábio!!"

Me virei para ver o que passava. Joinville é sede, no mês de julho, do Festival de Dança. O jornal tinha conseguido uma entrevista com o coreógrafo nova-iorquino David Parsons, dono da Companhia que leva o seu nome e que viria para a noite de gala do Festival. Problema: ninguém tinha inglês para fazer a entrevista, que seria por telefone. Aí pensaram em mim, e eu topei.

Fiz um "mídia training" (conversa sobre Dança e sobre a pauta) com uma colega que entende do assunto. Anotei as perguntas que eles gostariam de fazer, sugeri algumas e fui à luta.

Liguei. Tenho essa ligação gravada. No início, nítidamente nervoso, cometi alguns erros de inglês e de postura. Mas no final, deu tudo muito certo, e acabou sendo uma conversa agradável. O coreógrafo sugeriu que eu fosse assistir o espetáculo, e que fosse conhecê-lo no camarim. Disse que ia tentar conseguir as entradas, mas não dependia de mim.

Consegui a entrada, mas em um lugar comum. Não me parecia ter possibilidade de encontrá-lo. Mesmo assim eu fui, e valeu muito a pena. Eu nunca havia assistido um espetáculo de Dança, e achei muito bonito mesmo. Sendo Dança Contemporânea, foge um pouco das coreografias do balé e do jazz, mas não esquece delas.

Dois quadros merecem destaque. Um, onde apenas 2 focos de luz, intensos e curtos, que se cruzavam no meio do palco, iluminavam o que os atravessavam. O resto, penumbra. A dança? Toda feita com as mãos. Isso mesmo, apenas mãos! De uma simplicidade e criatividade absurdos!!

No outro, um dançarino dava pulos altos no ar, abrindo as pernas totalmente na horizonal quando atingia o alto. O detalhe é que não havia qualquer iluminação, se não um flash, que piscava a cada 3 segundos, mais ou menos. O efeito final é que o dançarino parecia estar voando, pois a cada vez que a luz acendia ele estava na mesma posição, mas um metro adiante. Fantástico!

Acabado o show, todos começaram a sair. Eu tinha combinado com uns amigos de encontrá-los na saída do teatro, mas notei que o camarim era acessível a partir da platéia. Resolvi arriscar. Falei com um dos organizadores, e descobri que ele tinha feito o contato entre o jornal e o coreógrafo. Feito! Ele me levou até o cara.

Quando entramos no camarim, a conversa foi mais ou menos assim:

Organização: "- Sr. Parsons, este é o jornalista que lhe entrevistou por telefone e..."

Parsons (já virado pra mim e estendendo a mão): - "Fábio! Como estão as coisas?"

É. O cara se lembrou de mim. É claro que ele não é exatamente o cara mais importante do mundo, mas para um jornalista iniciante foi muito legal. Ficamos conversando enquanto ele auxiliava a sua equipe a se preparar para ir embora.

Para mim, do telefonema ao encontro, foi uma experiência de vida muito legal. Afinal, sou jornalista para conhecer pessoas, culturas e aprender! Sobre o Quintana, também sou jornalista para saber mais, conhecer mais, ir fundo em aspectos novos sobre velhos assuntos, e para falar sobre o que eu gosto para as pessoas. Talvez aí até haja um certo idealismo, mas eu gosto muito de conversar, de comentar, de explicar. E, para isto, o jornalismo é um prato cheio.

Eu amo o jornalismo. Não tenho a pretensão de salvar o mundo, mas, sem demagogia, fazê-lo um lugar melhor sim. Sei que, no mundo de hoje, meu trabalho tem uma função "sócio-comercial", e não me revolto com isso. Me deixem fazer o meu trabalho, e está tudo certo. Eu sei que eu posso.

Sou jornalista por que ser jornalista, para mim, é ser... humano.
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17.6.06

Fala séééééério, seu Casseta...


Há tempos eu queria escrever sobre o Casseta & Planeta. A polêmica com os gaúchos, algum programa especial ou mesmo as imitações. Nunca me vinha nada de útil, que eu considerasse render um bom texto. Bem, hoje não tenho o melhor dos motivos, mas acho que não posso deixar de falar dos "Cassetas".

Eu os acompanho desde que começaram na Globo, na virada dos anos 90. Foram redatores do TV Pirata, eu sei, mas só os encontrei quando foram o "apoio" do "Dóris para maiores" que, por sinal, era um programa muito ruim, capitaneado pela inelembrável Dóris Giese. Depoi sim, veio o "Casseta e Planeta Urgente", mensal no início e semanal há alguns bons anos.

Programas clássicos: Viagens à Itália, e Pelotas/Antartida; Propaganda clássica: a cachaça Tabajara (brincadeira sobre os então famosíssimos "bichinhos parmalat").

Bussunda. Um dos melhores. Presidente Lula, Ronaldinho Dentucho, Maradona, Sérgio Chapelin, "Montanha", Marrentinho Carioca e o recorrente seringueiro: "Ah não, tu vai me dizer que veio aqui só para tirar onda por que eu tiro leite do pau?"

Há um tempo atrás.. alguns anos, eu acho, grande parte dos gaúchos se irritaram com as brincadeiras que o grupo fazia com eles (com a gente, no caso). Eu nunca me estressei. É claro que eu não gosto dessa brincadeira de gaúchos/veados, mas eu gosto do baiano preguiçoso, do português burro, do argentino egocêntrico.. então...

Talvez o Bussunda seja o mais carismático dos cassetas, e por isso esteja fazendo tanta falta. Não sei como vai ser daqui pra frente, mas os que estavam na Alemanha estão voltando para o Brasil, e terça feira o programa será especial, em homenagem ao colega.

É uma situação complicada, mas para decidir como vai ser daqui pra frente talvez eles pudessem aproveitar uma piada deles mesmo. Uma vez, num quadro falando dos Beatles, o "repórter" perguntou para os 3 fab-four então ainda vivos como eles faziam para dividir todo o dinheiro que estavam ganhando com a onda do "Anthology". A resposta, se não me engano dada pelo Bussunda McCartney: "É o seguinte seu Casseta. A gente joga o dinheiro pra cima.. o que o Lennon pegar fica pra ele, e o que sobrar a gente divide entre nós três".

Meu abraço e minha homenagem a um companheiro de incontáveis terças-feiras nos últimos 15 anos.

P.S.: Eu ainda vou comprar minha camiseta do Tabajara...
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2.6.06

Michelle, ma belle...

Amizade. Por mais que a gente saiba o que é isso, às vezes parece que a gente esquece.

Uma das coisas que eu sempre tive bem claras nesses meus primeiros meses aqui em Joinville é que eu estaria lidando com pessoas diferentes, e que por mais próximos que talvez parecêssemos, ainda levaria um tempo para que eu pudesse chamar alguém de amigo, como chamo vários lá em Porto Alegre.

Eu tenho uma amiga em Joinville. Bem, talvez eu tenha mais - e eu não pretendo ser injusto aqui -, mas eu posso dizer com toda a certeza que ao menos uma "joinvilense da gema" eu quero levar comigo, no coração, para sempre.

Michelle Castro, Mi, Bob Esponja, Sra. Dislexia... hehe.. Durante praticamente oito meses nos encontramos quase diariamente para trabalhar e fazer festa, sem cansar. É claro que discutimos algumas vezes, até brigamos (segundo ela, a ponto de parecer que nunca mais íamos nos falar). Nos últimos 40 dias enfrentamos, juntos, o maior desafio da nossa ainda curta carreira profissional, quando a nossa querida editora precisou se ausentar.

Mi. Eu mesmo me surpreendi com a forma como senti a tua falta nestes dias. Nossas conversas, nossas besteiras, nossos estresses, a michellite e a lunardite.. Ah... tão perto (no tempo e no espaço), e ao mesmo tempo tão longe...

Te adoro "alemoa". Obrigado pelos toques, pelos conselhos, pelas discordâncias, pelas caronas, pelas festas, pela festa de aniversário na "redação", pela caminhada até o Mueller, pelas trocas de horário quando eu precisei, pelas partidas de sinuca, pela força, pelas chamadas de atenção, pelos elogios, pelas demonstrações de carinho, pelo McDonald´s e, é claro, por ter sido a primeira pessoa que eu encontrei nessa minha nova cidade. A gente já comentou isso várias vezes, mas a verdade é que a vida acontece assim.. meio por acaso...

Tudo de bom neste teu novo desafio. Tenho certeza que vai dar tudo certo, e o mundo vai começar a conhecer a excelente jornalista com a qual eu tive o prazer de trabalhar diretamente nestes meses. Te amo demais, viu?

Ah.. antes que eu me esqueça.. não te preocupa que eles não vão te "desmascarar", viu? Não tem nada escondido aí.. :-D

Assinado:
Irish man
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17.4.06

Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou...



Eles ficaram ofendidos com a afirmação
Que reflete na verdade o sentimento da nação
É lobby, é conchavo, é propina e jeton
Variações do mesmo tema sem sair do tom
Brasília é uma ilha, eu falo porque eu sei
Uma cidade que fabrica sua própria lei
Aonde se vive mais ou menos como na Disneylândia
Se essa palhaçada fosse na Cinelândia
Ia juntar muita gente pra pegar na saída
Pra fazer justiça uma vez na vida
Eu me vali deste discurso panfletário
Mas a minha burrice faz aniversário
Ao permitir que num país como o Brasil
Ainda se obrigue a votar por qualquer trocado
Por um par se sapatos, um saco de farinha
A nossa imensa massa de iletrados
Parabéns, coronéis, vocês venceram outra vez
O congresso continua a serviço de vocês
Papai, quando eu crescer, eu quero ser anão
Pra roubar, renunciar, voltar na próxima eleição
Se eu fosse dizer nomes, a canção era pequena
João Alves, Genebaldo, Humberto Lucena
De exemplo em exemplo aprendemos a lição
Ladrão que ajuda ladrão ainda recebe concessão
De rádio FM e de televisão
Rádio FM e televisão

Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou
São trezentos picaretas com anel de doutor
Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou....
(Paralamas do Sucesso - Vamo batê lata (Ao Vivo) - 1995)


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O ano era 1995. O século, XX. O presidente, Fernando Henrique Cardoso. O acusador, o líder petista, ex-metalúrgico, pai da moralidade e até então 2 vezes segundo colocado na corrida presidencial Luís Inácio Lula da Silva.

Numa certa entrevista o grande comandante da oposição ao governo FHC e ao recentemente implantado Plano Real dissera que os deputados não passavam de "300 picaretas com anel de doutor", em referência a jóia que recebem ao assumir o posto.

O Brasil inteiro aplaudiu a frase. Era uma definição clara da sujeira que dominava o Congresso Nacional, dita por um homem do povo que, como os outros, estava cansado de tanta corrupção, de ser tantas vezes enganado, de votar e não ser representado como deveria. Enfim, de um homem comum, político experiente, e que enxergava a podridão que dominava o poder federal.

Os Paralamas do Sucesso, uma das maiores bandas do Brasil lança, no seu CD ao vivo, a música "Luís Inácio - 300 picaretas". Chega a ser proibida de tocar em Brasília e tem um show na capital federal cancelado. Viva a democracia.

Mas eis que anos depois, na sua quarta tentativa à presidência, o mesmo ex-metalúrgico que fez a "denúncia" consegue vencer. É eleito presidente, e, como foi repetido à exaustão, diz que a esperança vença o medo.

Passam-se 3 anos. O mar de lama do Congresso se torna uma cachoeira, vinda de cima para baixo. Estão claramente envolvidos, denunciados pelo Ministério Público, ministros e ex-ministros do presidente metalúrgico. Comprovadas coincidências entre datas de depósitos e saques bancários com votações importantes em plenário; envolvimento do ex-presidente da Câmara dos Deputados - também do PT (e que acabaria absolvido na, talvez, maior pizza da História); publicitários famosos; "publicitários" famosos; deputados de partidos da base aliada e de "apoiadores informais".

Todos sabiam, todos admitem envolvimento. Alguns criam teorias para explicar ou suavizar o crime, mas ninguém mais nega participação. Outros, como o mago do marketing Duda "Dusseldorf" Mendonça chegam a admitir coisas que não se sabia para posar de santinho, mas acabaram levando as investigações exatamente para onde não queriam.

Apenas um homem não viu nada, não falou nada e não ouviu nada e não sabe de nada. Luís Inácio "Ali Babá" Lula da Silva.

O pai dos cretinos. O Deus dos cretinos. O f..d..p... dos cretinos. O ex-delator hoje é o líder dos 300 picaretas. Dos quais, 40 (ladrões.. coincidência?) foram indiciados pelo isento, ao que parece, Ministério Público. Aliás, a coisa é tão absurda que este governo se vangloria de deixar as instituições (quase sempre) trabalharem por si só. Seria cômico se não fosse trágico...

E nas pesquisas, ele segue sendo um perigoso favorito. É ridículo. Se por acaso Lula vencer novamente, além de estar se reelegendo (privilégio ao qual ele e seu partido sempre foram contrários), estará se locupletando de uma das mais tristes características do povo brasileiro, a qual, inclusive e principalmente, sempre foi uma das suas maiores bandeiras.

A falta de cultura do povo. De discernimento. De educação. O grau de alienação. Capaz de acreditar que corrupção passiva não é corrupção.

Ainda se encontra na rua pessoas que dizem que este governo não é o mais corrupto da história. Que muito foi feito antes sem que se soubesse. Que só se descobriu tudo isto pois era de interesse da "oposição".

Respostas: Não, não é. Sim, muito foi feito. Sim, é possível que sim.

Contraponto: Não ser o mais corrupto não significa que mereça ser desculpado, ou perdoado, ou ser mantido no poder. Muito continua sendo feito sem que se saiba. Pode ser que sim, mas algo do que se descobriu é pura mentira, ou se descobriu algo que realmente estava lá.

A "República de Ribeirão Preto". Isto foi inacreditável por demonstrar, mais uma vez, a facilidade com que se rouba neste país. Isso significa que se no próximo governo tivermos alguém de Pindamonhangaba, poderemos ter a "República Pindamonhangabense".

Não, eu não acho que o próximo presidente, não sendo o Lula, vá ser honesto. Eu não acho que os problemas vão se resolver. Eu apenas defendo que o Brasil morra sendo enganado por pessoas diferentes a cada mandato, e que o povo acorde para a força da sua mobilização, positiva para protestar, cobrar, reclamar, e negativa para se omitir, se deixar enganar, reeleger.

O próprio Alckmin está se valendo de um discurso "panfletário", de "eu nunca falei em ética, mas sou ético". Acho isso perigoso. Se ele estiver dizendo isto pois é o discurso que cola nesta "massa de iletrados" mas que ele pelo menos tenha um projeto de país, e no momento, seja qual for, ótimo. Agora, se a questão é simplesmente trocar a foto atrás da cadeira presidencial, nos preparemos para um governo turbulento, ou assim espero.

O brasileiro tem que aprender a parar de esperar o salvador. Ele não virá. Se alguém acreditava que o nosso atual presidente era o "esperado", bastaria lembrar que há 10 anos ele mesmo avisou sobre os 300 picaretas que, em sua maioria, continuam lá, e continuarão, se o voto de cada um dos brasileiros não impedir.
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10.4.06

É CAM-PE-ÃO!!


Saudações tricolores!! Que domingo, hein? O meu, ainda que tenha acabado numa noite de trabalho, foi fantástico!! Mesmo tendo sido o ano da segunda divisão (2005) o que eu mais vezes fui ao estádio apoiar o Grêmio em quase 3 décadas, não levava muita fé neste título gaúcho não. Torcia, é óbvio. Estamos na final, então pelo menos joguemos para ganhar. Mas não acreditava. O Inter vinha de 4 títulos gaúchos sem o Grêmio nem ao menos chegar na final, um vice-campeonato brasileiro e é líder do seu grupo na Libertadores.

O Grêmio? É, vencemos árduamente a segunda divisão no ano passado, mas mal havíamos nos recuperado da derrota, em casa, para o 15 de novembro, que acabou com a nossa história na Copa do Brasil deste ano.

Como tinha que trabalhar, e sabia que se fosse ver o jogo na rua isso (de ir trabalhar) não seria uma decisão fácil, preferi ficar no conforto da minha casa e da internet. Na TV, a final do catarinense, que acabaria sendo vencida pelo Figueirense.

Primeiro tempo, 0 a 0. Como não estava vendo nem ouvindo o jogo, não tinha noção de quem estava melhor, mas estava considerando o resultado bem razoável. Ainda que perdêssemos nos pênaltis - como ocorrera contra o 15, por sinal -, mesmo depois de duas partidas não teríamos perdido, em campo, para "eles". Segundo tempo. Eu até estava distraído na internet quando o "óbvio" aconteceu. Fernandão, 1 a 0 Inter. Tudo bem... vamos para o Brasileirão e ano que vem impediremos o hexa colorado.

Lá pelas tantas, apareceu "bolinha" na tela do jogo da TV, o que significava que tinha saído gol em algum dos outros jogos que estavam acontecendo naquele momento. Uma ponta de esperança surgiu até que o narrador anunciou. Grêmio, 1 a 1 em pleno Beira-Rio.

Comecei a ficar nervoso. A narração "online" que eu estava acompanhando estava atrasada e nada de aparecer o empate. O tempo foi passando, o placar no jogo catarinense foi ampliado e, quando eu ia ter uma síncope, apareceu o gol na tela do PC. Dei um berro incrédulo! Olhei, eram cerca de 30 minutos da etapa final.

Como estava com um atraso de alguns preciosos minutos na narração, tinha a impressão de que aquela agonia ia durar uma hora. Antes de o jogo que eu acompanhava chegar aos 45, o jogo lá terminava aos 48. Um a um. Grêmio, campeão gaúcho de 2006.

Inacreditável. Há quatro meses o Sport Club liderava o Campeonato Brasileiro e vinha de 4 títulos gaúchos sem encontrar o tricolor no caminho. Nós, por outro lado, batalhávamos árduamente contra Anapolina, São Raimundo e Santa Cruz pela volta à primeira divisão, depois de 2 anos "batalhando" para cair.

E agora? Dois troféus no olímpico, e nenhum no Beira-Rio. Pouco? Eu acho que o "quase-campeão brasileiro" e "quem-sabe-talvez-pode-ser-numa-dessas campeão da Libertadores 2006" é um adversário respeitavel. É bom ressaltar, entretanto, que o co-irmão manteve a escrita e seguiu fiel a São Caetano (protetor dos eternos vices).

Por que o Grêmio foi campeão? Por que - e isso eu tenho que admitir - o tão contestado - inclusive por mim - Mano Menezes foi inteligente, e o Internacional foi incompetente. Por fim, está na Bíblia. "Mano" matou Abel...

Com o Grêmio aonde eu estiver!! E parabéns a todos nós, gremistas!!
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30.3.06

Se ela dança, eu danço...


Essa foi uma cena lamentável. A deputada Angela Guadagnin (PT-SP) literalmente dançou no plenário da Câmara dos Deputados quando foi anunciada a absolvição do seu companheiro de partido João Magno (MG). A referida parlamentar ainda pediu desculpas "se ofendeu alguém". Ofendeu sim, a minha inteligência.

Na mais branda das hipóteses, ela comemorou a vitória de um amigo pessoal, não importando o que ele tenha feito, mas apenas por serem amigos. Mas espere aí, quem está ali não é a Angela Guadagnin, mas os eleitores que a elegeram, e todos nós que, representativamente, somos cada um dos "513 picaretas". Não há espaço, na Câmara, para demonstrações de afeto pessoal. Ou ela está dizendo que seus eleitores também estão felizes? Aposto que não... ao menos, não todos...

Problemas da representatividade personalista brasileira. Como temos partidos fracos, as pessoas votam em pessoas, que ao chegar lá se julgam no direito de cantar e dançar. Acontece que elas não tem este direito. Se quiserem, comemorem na intimidade, visitem-se, mas não façam isso nas nossas cabeças.

Quem também dançou foi o ex-ministro Antonio Palocci. Numa rápida agonia, o ex-todo-poderoso desabou como Golias, graças ao David "Nildo". Não, o caseiro não é herói. O caseiro é, no máximo, um sopro do vento que derrubou o castelo de cartas do Ministério da Fazenda e, se o povo brasileiro tiver um mínimo de vergonha na cara, decretou o fim da reeleição do presidente Lula.

Eu votei no Lula. Eu apoiei o Lula. Depois de muito tempo criticando o PT, eu apostei neste governo pois acreditava que, como disse o então ministro da educação Cristovam Buarque numa palestra que eu assisti em Porto Alegre ainda em 2003, o Brasil ia fazer "uma longa curva à esquerda, e não simplesmente dobrar". Pois bem, lá se vão 3 anos e nada da tal curva aparecer...

Ao contrário do que os últimos defensores do Lula acham, eu não espero que o próximo presidente não seja corrupto. É esmagadora a possibilidade de ele ser tão ou mais corrupto do que o "Lulinha paz e amor". Entretanto, CPIs, o Ministério Público e a Polícia Federal estão aí para isso.. estão aí inclusive, para serem freados por habeas-corpus concedidos pelo Supremo Tribunal Federal.

O que diferencia o Lula dos demais não é a ética, como muitos por muito tempo acreditaram e alguns ainda assim insistem em enxergar. O que o diferencia é que os outros não prometem que vão salvar o mundo do mal, não fazem depredações quando são contrariados, e não fazem de conta que não sabem de nada do que acontece a sua volta.

Somos todos brasileiros, e todos, sem exceção, usamos o "jeitinho" uma que outra vez. Todos recriminamos isto, mas todos fazemos. Sem demagogia.

Eu acredito que a consciência política do brasileiro está melhor hoje do que estava há 14 anos, quando o Collor caiu. Só que eu também não acho que o povo brasileiro aprendeu a votar, isso leva tempo...

Uma das coisas que as pessoas precisam se dar conta é da força da mobilização popular. Severino Cavalcanti e a remuneração do recesso parlamentar são dois pequenos exemplos de que, minimamente organizada, sociedade e mídia podem impedir que esta babel se desenvolva e, quem sabe até, combatê-la. Em nenhum dos dois casos houve grandes mobilizações, mas em ambos houve uma certa movimentação, e o resultado surpreendeu por não ser favorável aos "senhores deputados".

A própria verticalização é outro exemplo. A discussão de uma lei dessas, por si só, é absurda. Se o partido X defende as idéias A no âmbito federal, como (ou onde) poderia ser possível que numa fração do país (estado) este partido combatesse estas mesmas idéias? O argumento a favor do fim desta lei é a de que "nordeste e sul não necessariamente pensam igual". Ótimo! Então façam partidos diferentes! Ou estás me dizendo que querem o poder pelo poder? (Não Fábio... é impressão tua...). Só no Brasil que o óbvio (verticalização) pode ser debatido. Somos praticamente os sofistas atenienses!!

A dança da ilustre deputada foi quebra de decoro sim! Foi desrespeitoso com o povo, pois colocou a sua relação pessoal acima da relação parlamentar. E se o tal deputado for condenado pela justiça depois? A própria deputada, até onde se sabe, tem alguns processos nas costas do tempo que era prefeita de São José dos Campos. Como poderia ela algum dia defender a ética, e ainda mais agora?

"Não à reeleição em todos os poderes elegíveis". Um adesivo que eu tive há muitos anos dizia isso, e eu não o entendia (pois não sabia o que era reeleição, e nem o que queria dizer "elegíveis"). Pois agora, é isto que eu vou defender. Não também ao voto branco ou nulo, pois voto inválido é voto pelo vencedor!

Não à reeleição, para que nossos nobres deputados pelo menos não possam dançar outra vez sobre nossas cabeças!!
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26.3.06

Parabéns Porto Alegre!!

Hoje é 26 de março de 2006 e Porto Alegre completa 234 anos. Aqui coloco minha homenagem.

Esta carta foi escrita em 2001, na aula de português da faculdade. Entre as coisas que mudaram, é importante ressaltar que naquela época eu sempre passava as férias de inverno em São Paulo. O então senador Fogaça hoje é prefeito de Porto Alegre.

De resto, aviso aos catarinenses desavisados. O ufanismo deste texto é absurdo, propositadamente exagerado, pois é uma declaração de amor. Nada contra coisa nenhuma, apenas amor. É bem verdade que nada disso é mentira hoje, sigo amando Porto Alegre e, se não pretendo mais voltar para lá tão urgentemente, nunca deixarei de ser porto-alegrense de coração.

Eu amo Porto Alegre

"Estando aqui em São Paulo, as pessoas costumam dizer que sou mais um daqueles gaúchos bairristas. No início, eu argumentava. Tentando me explicar acabava me confundindo ainda mais. Depois de um tempo, passei a me pergunta: "Que culpa eu tenho de achar que não há lugar melhor para se viver do que o meu Rio Grande?"

Mais do que amar o Rio Grande do Sul, eu amo Porto Alegre. Cidade açoriana do século 18, palco de muitas guerras, berço onde nasci. Há cerca de 22 anos, a capital dos gaúchos me recebeu, me protegeu e, desde então, me viu crescer. Do hospital Fêmina, onde nasci, até a PUC, onde estou estudando, são mais de duas décadas de uma vida bem vivida.

Muitos percalços, muitos obstáculos, muitas decepções, muitas vitórias. Mais do que isso, muito amor por essa cidade que também acolheu Mário Quintana, que sabia cantá-la como ninguém.

O Parcão, a Redenção, o Marinha. O Olímpico, o Beira-Rio, o Tesourinha. A Osvaldo Aranha, a Nilo Peçanha, a Zona Sul. A Usina do Gasômetro, o seu lindo pôr-do-sol, o Laçador. Tantos lugares, tantas histórias, tanto a conhecer.

Seus músicos também lhe renderam homenagens. Kleiton e Kledir, na antológica "Deu pra Ti", o - hoje - senador Fogaça com "Porto Alegre é demais", e a melhorde todas, "Horizontes", cujo autor, infelizmente, é um ilustre desconhecido.

Até no que se refere às mulheres não há lugar melhor do que a minha cidade. Onde mais a miscigenação fez obras tão divinas? (No interior do Estado, talvez).

Ah, o rio. Como falar de Porto Alegre e não falar no Rio Guaíba? A melhor companhia para quem chega na cidade pela rodoviária, ou para quem gosta, como eu, de passar as tardes de domingo ao seu lado, numa das praias da Zona Sul.

Sinto agora no meu peito a falta que me faz a terra de Simões Lopes Neto. Quero voltar para os churrascos de final de semana, o chimarrão no fim de tarde, e os amigos de todos os dias.

Calma minha amada, também estou com saudades, logo voltarei."
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22.3.06

É lá que eu vivo em paz!



Em novembro de 2004 - eu escrevi um texto falando que amava Porto Alegre, mas que sentia que era hora de partir, de experimentar novos ares, de ganhar o mundo!

A idéia, naquela época, era ir para a Europa. Estava desempregado há meses e pretendia aproveitar a minha cidadania italiana para batalhar por lá. O tempo passou, eu fui deixando pra depois, criando novos projetos, alternativas, até que em outubro passado eu vim pra Joinville, bem como eu tinha pensado alguns meses antes, mas "puxado", e não exatamente por iniciativa própria como sugeri.

Desde então - e lá se vão quase 6 meses - eu voltei apenas 2 vezes a Porto Alegre. Uma no Natal, como seria de praxe, e outra no último final de semana. Foram duas viagens incríveis!

Na primeira, o tesão era por ser o reencontro depois da brusca mudança. Muitos assuntos, muitas novidades, muitos encontros. Na segunda vez, o que movia os encontros, além da saudade e das novidades, era manter o contato, seguir acompanhando aqueles que me são tão caros.

Apesar de ter sido apenas por 3 dias, e bastante cansativo na maior parte do tempo, a injeção de energia que eu recebi nesta viagem não tem preço. Colegas de faculdade, amigos de sempre, família, lugares... É como se a minha vida passasse de novo na minha cabeça. É como se eu estivesse voltando para ver "como estão as coisas" depois que eu "segui em frente".

Palavras, declarações de amizade, gestos, ouvidos, conselhos, camaradagens. Várias pequenas coisas que me dão a certeza de que tudo valerá a pena, de que, assim como eu, meus amigos também entendem que a presença física, indiscutivelmente importante e desejada, não é condição indispensável para que continuemos amigos.

Meu futuro está onde a vida me levar, até mesmo Porto Alegre. Meu passado, minha história, meus amigos de infância e os primeiros quase 30 anos da minha vida estarão para sempre na capital dos gaúchos. Posso estar em qualquer lugar, mas nunca vou deixar de ser porto-alegrense.

Quero agradecer aos que dedicaram um pouco do seu tempo, nestes dias, a mim. O churrasco, a Lima e Silva, o almoço na PUC, a volta até o Senac, a "voltinha" até o Fórum, o papo em casa e a visita ao apartamento!!

Ah, o apartamento. Tive uma sensação incrível quando visitei o apartamento onde um casal de grandes amigos vai morar depois de casar. O casamento deles, aliás, será minha próxima visita ao sul, em maio (o padrinho não pode faltar!!). Pois é, estar ali onde um cara que está comigo desde a adolescência vai morar, casar e, por que não, constituir família, é muito... emocionante. Fazer parte de um momento como este para amigos como estes é, sem dúvida, importante para mim também.

E a minha cidade está de aniversário esta semana! Parabéns a ela, e a todos os meus amigos porto-alegrenses! Prestarei também a minha homenagem no dia 26.

Por ora, transcrevo a letra de uma das "músicas-símbolo" da cidade:

Porto Alegre é demais

Porto Alegre é que tem
Um jeito legal
É lá que as gurias
etc. e tal

Nas manhãs de domingo
esperando o Gre-Nal
Passear pelo Brique
num alto astral

Porto Alegre me faz
tão sentimental
Porto Alegre me dói
não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
não leve a mal
A saudade é demais
é lá que eu vivo em paz

Quem me dera eu pudesse
ligar o rádio e ouvir
Uma nova canção
do Kleiton e Kledir

Andar pelos bares
nas noites de abril
Roubar de repente
um beijo infantil

Porto Alegre me faz
tão sentimental
Porto Aegre me dói
não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
não leve a mal
A saudade é demais
é lá que eu vivo em paz

Porto Alegre me dói
não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
não leve a mal
A saudade é demais
é lá que eu vivo em paz

Porto Alegre é demais...!
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13.2.06

Ora por que.. Por quê? Bem, é que... você sabe, né? Ah, sei lá...



Por que não fazer isso hoje? Porque posso fazer amanhã. Porque, afinal, não é tão indispensável assim. Porque talvez exista outra forma de fazer que eu ainda não descobri e ela logo vai aparecer e eu vou economizar trabalho. Porque pode não dar certo. Porque pode demorar. Porque tá chovendo. Porque tá quente. Porque eu estou cansado. Por que eu não estou afim.

Tá, mas por que mesmo não fazer isso hoje?

Desculpas. Ou melhor, justificativas. Eu costumo dizer que a informática me deu o "dom" do raciocínio lógico, incomum entre pessoas da minha espécie e no povo em geral. Tudo tem causa e efeito. O que se faz é sempre resposta a algum problema/necessidade e tem, invariavelmente, algum efeito. Isto é o que faz o mundo estar em constante mutação.. ontem o mundo estava diferente de hoje em bilhares de pequenos detalhes, que estarão diferentes amanhã também.

Deixando a filosofia um pouco de lado, "raciocínio lógico" tá longe de ser um dom. Isto nada mais é do que a forma que eu encontrei para explicar meu sedentarismo em "alguns" aspecto(s) da vida. Me pergunte qualquer coisa e eu te direi o porquê. E esta justificativa tem fundamento? Bem, depende.. certamente vai responder a pergunta que me fiz(este), mas não necessariamente vai ser a "chave" que estás procurando.
Justificativa. Sabe quando uma criança bate na outra porque esta outra bateu nela? É isso! Aliás, bem pensado.. crianças justificam tudo.

Ontem eu falei com "ela". Foi muito bom, como sempre, e inútil, como nunca. Quando eu saí de lá, pensei em "Por que não?" - que, aliás, foi a frase final do texto anterior. E a resposta? Nenhuma resposta... Tudo o que me vinha à cabeça vinha com o selo de qualidade "Justificativa". No fim eu me vi sem razões para não seguir adiante. Ao mesmo tempo, me vi sentado como se "nada tivesse acontecendo".

Me senti diferente. Simplesmente por que os vários pensamentos que sempre me vem à cabeça nestes momentos, justificando o porque de eu não poder, não ser capaz - ou simplesmente "não" - não apareceram. Foi como se uma estrada tivesse se aberto a minha frente bastando eu dar o primeiro passo. Se vai dar certo? Não sei, mas o que importou é que a estrada apareceu limpinha como nunca... E por que eu não começo a caminhar?

Ah pois é... digamos que esta é a minha situação "meio-grávida". Pensando agora, parece que eu fico procurando razões para não ir. Aliás, razões não, justificativas. Inúteis e "lógicas" justificativas - que, aliás, eu não estou encontrando....

Parece que eu estou fazendo um curso... sou craque na parte teórica, e uma naba na prática. "É que eu estou começando"...

Ok, ok.. já entendi... outra justificativa!
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9.2.06

Roleta russa

A gente tem a cínica e arrogante mania de viver como se fosse durar para sempre. É claro que isto é, na verdade, um grande paradoxo pois todos temos uma única certeza: vamos morrer. Ainda assim, e talvez para fingir que não, vivemos nossa vidinha tranquilamente, e fazemos planos para daqui 5, 10 anos, como se fosse só uma questão de tempo.

Na teoria é. Basta que o ponteiro maior do nosso relógio dê umas 60 mil voltas e teremos vivido mais quase uma década. Nossos planos estarão 10 anos a frente, porque certamente estaremos vivos até lá, não é?

Uma frase famosa, de certo humor negro, diz: "Viva cada dia como se fosse o último, pois um dia você acerta". E é isso mesmo que acontece. A gente fica pensando em morrer de velho, ou esquece que vai morrer, quando na verdade a gente "perde" oportunidades de morrer praticamente a cada segundo..

Não, não estou querendo dar lição de moral nem dizer "arrependei-vos que o apocalipse chegou". O meu raciocínio é mais generalista. Acredito que todos lêem jornais, assistem telejornais e conversam com outras pessoas. Pois é, todos os dias acontecem desgraças. Gente morrendo atropelada, bala perdida, discussão em casa, mãe "perdendo" bebês por aí. Todos os dias centenas de vidas são modificadas para sempre, traumaticamente. Eu sempre penso nas pessoas envolvidas nesses "casos de polícia" mundo afora. Muitas delas, se não morrem literalmente, perdem grande parte da vida por um milissegundo em que se fez ou se estava no lugar errado.

A gente age como se essas coisas fossem como prêmios da loteria. A gente nunca ganhou, então não é para nós. São fatos que só ocorrem lá, longe da vida real. Não meus amigos, lá também é a vida real.

Eu pensei na analogia da roleta russa pois é como se estivéssmos sempre brincando disso. Para quem não sabe, o "jogo" consiste em colocar apenas bala no tambor de um revólver, fechar e girar o tambor, e depois atirar contra a própria cabeça. Se sobreviver, gira o tambor e passa para o próximo.

O que ocorre é que, no mundo "real", a última bala é sempre recolocada. E nem sempre a vida avisa que está brincando...

Na verdade, toda essa conversa é para ser uma mensagem positiva. É para nós, que temos a sorte de não estar nas páginas policiais, valorizarmos mais os pequenos momentos, o simples fato de estarmos vivos.

Uma vez eu vi um filme chamado "Premonição" (o primeiro). Lá pelas tantas, o protagonista tá no meio do nada, sendo que o carro dele tinha parado em cima dos trilhos e levado por um trem, e o amigo dele estava de pé, ao seu lado, sem a cabeça. Eu lembro que naquele momento eu pensei: "E eu que achava que tinha problema". Tipo, 5 segundos e a vida do cara "acabou". Seis segundos antes e nada tinha acontecido nem "tinha como acontecer".

Viva a vida! Viva a sorte de eu ter amigos, família, profissão, trabalho, casa e saúde!

E viva também eu ter livre arbítrio, para poder filosofar de vez em quando...
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1.2.06

Quem você conhece?

O Orkut. O tão famoso, questionado, defendido, criticado, menosprezado, supervalorizado mas, no fim das contas, tão utilizado (em especial por nós, brasileiros) Orkut.

Seria ele bom ou ruim? Passatempo ou perda de tempo? Diversão ou perigo? Vida em sociedade ou invasão de privacidade?

Para mim, nem isso, nem aquilo.

Quando o Orkut surgiu, na virada de 2003 para 2004, parecia ser apenas mais um modismo. Todos entrando, se inscrevendo, se encontrando. Depois passou a "febre", e começou a fase dos reencontros "reais". Turmas de colégio, amigos distantes, familiares. Muita gente, por acaso ou não, reencontrou pessoas que não via há muito tempo (e algumas que nem queria ver).

Eu considero que agora o Orkut já se tornou algo comum, como o MSN, por exemplo. Quem tem, tem e se comunica, mas quem não tem não perde nada de "indispensável" como a "febre" fazia pensar.

No que diz respeito a tecnologia, o Orkut é incrível. Até a maleabilidade de ele poder ser muito importante ou completamente inútil faz dele algo, no mínimo, muito interessante.

Eu estou lá há quase 2 anos - entrei em meados de 2004. Já contei os amigos que tinha, depois os fãs, depois os recados. Por algum tempo, admito, me sentia valorizado por que tinha encontrado a tia do vizinho da cunhada da mulher do cara da padaria que um dia tinha pegado um ônibus comigo na volta do colégio pra casa.

Minha irmã saiu do Orkut por que ele estava lhe causando problemas. Na verdade, não era o Orkut que causava os problemas. Digamos que os problemas que ela teve seriam - e foram - causados por uma pessoa que - então estava se descobrindo - não fazia bem a ninguém nem "ao vivo". Entretanto, eu acho que o Orkut em si não é nem bom nem ruim. Bom ou mau é o "uso" que tu faz dele. Aliás, dele e de quase todas as coisas/amizades/relações que existem na vida.

Eu estava há tempos para escrever sobre isto, mas me faltava o porquê. Até que outro dia eu estava pensando, e descobri que o Orkut já me trouxe muitas coisas legais neste tempo...

No início, os amigos de pouco tempo que se perderam, como eu costumo dizer, por razão nenhuma. Depois, e por causa desses reencontros, fui "localizado" por colegas de colégio, de quase 15 anos atrás. Tivemos vários reencontros e, posso dizer, algumas velhas amizades voltaram, uma em especial. Outra amizade nasceu deste reencontro e, indiretamente, do Orkut.

Em 2005, com a situação de desemprego, procurei comunidades sobre jornalismo. Fiz bons contatos, quase fui para Maceió, e cheguei a conseguir uns freelas via Orkut...

As grandes mudanças, entretanto, vieram no fim do ano. Numa dessas comunidades sobre jornalistas eu descobri o blog de um colega de São Paulo (se não me engano) que, em algum momento de setembro, publicou um anúncio do Jornal A Notícia pedindo jornalista com experiência em web. Respondi ao anúncio e eis que aqui estou eu!

Não satisfeito, quando a vida me jogou em Joinville meu amigo Orkut (afinal, é o nome do criador) apareceu de novo. Como eu não era o único "novato" na cidade, uma colega já tinha entrado em algumas comunidades joinvilenses para se "ambientar". Obviamente, segui o caminho, e encontrei mais alguns amigos. Poucos talvez, mas importantíssimos, quase fundamentais, nestes meus primeiros meses...

Eu sei que o Orkut não seria a única forma possível de isto tudo acontecer, mas foi através dele que aconteceu. Que eu saiba o Orkut nunca me causou nenhum mal, e aí estão alguns dos "bons" que ele me proporcionou.

Existem os mais variados tipos de história sobre o Orkut. Não estou querendo dizer "o Orkut é imperdível, é indispensável, é maravilhoso". Apenas, digamos, dando o meu depoimento. Como eu disse: o Orkut não é bom ou ruim, mas a forma como o utilizamos pode ser.
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