28.9.05

Uma linda mulher


Beleza não é apenas algo físico. Muitas mulheres sabem ser lindas no andar, no falar, no ouvir e no compreender. Sabem ser mulher no sentido feminino da palavra. Esta é a minha homenagem a uma linda mulher.

Volta-e-meia eu me pergunto: será que ela soube? Ou ainda, será que ela imagina?

Estranho. Eu já cheguei a pensar que gostava dela. Não sei se cheguei a gostar mesmo, mas acreditei que sim. Hoje eu gosto, mas já de uma maneira bem mais tranquila, mais humana. Mesmo naquela época ela era uma boa companhia para mim. Me sentia bem. Conversávamos bastante sobre muitas coisas. Temos um lado "geek" parecido...

A admiro. Gosto do seu tipo de beleza. Ela não é uma deusa, não seria modelo e talvez a sua beleza nem seja consenso. Mas eu acho ela bonita. Admiro também seu jeito simples e seu carisma. É inteligente, feminina e batalhadora. Sim, eu sou seu fã. E ela vale mais do que parece acreditar...

Na verdade não a conheço tão bem. Quer dizer, às vezes acho que sim e às vezes me parece que não. Na verdade, isso não importa. O que conheço me é suficiente para me considerar seu amigo. Fico feliz com suas conquistas, e triste com suas decepções. Estou aqui para ela e acredito que ela também está aí para mim.

Por que falar disso agora? Não sei.. estava navegando e lembrei dela. Nenhuma razão especial. Bem, razão especial tem, de outra forma não estaria falando dela. Quero dizer que não há nenhuma segunda intenção. É apenas, como eu já citei, uma homenagem que estou rendendo a uma pessoa especial, como já fiz outras vezes.

Seu nome. Como poderia não falar do seu nome? É um dos meus favoritos. Tenho várias amigas com esta "alcunha", e ele está na moda no mundo das celebridades também. Acho bonito, sonoro, feminino.

É aquele tipo de pessoa humana - no sentido mais frágil e seguro da palavra -, que não se preocupa em fingir ser uma fortaleza, pois ninguém é. Momentos ruins fazem parte da vida e, por isso, saber aproveitar as coisas simples da vida é também uma grande virtude. Se eu pudesse lhe pedir algo, lhe pediria que nunca perdesse a simplicidade pois esta é, sem dúvida, a maior qualidade de um ser humano.
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20.9.05

Motivos para ter...



Domingo. Família e amigos reunidos, e aquele churrasco assando....

O frio, o ponche, o café colonial ou, nessa e em todas as situações, o chimarrão.

A bombacha, o lenço vermelho e o chapéu com barbicacho.

Bah, tchê, tri legal!

As mulheres. Onde mais a miscigenação fez obras tão belas? Italianas e Alemãs, ou germânicas de um modo geral, em misturas variadas e lindíssimas. Para nós, orgulho de poder admirar e dizer "Ela vem lá do meu Rio Grande". Para elas, todas elas, o orgulho de ser parte desta miscigenação, desta raça.

A música. O acordeon, a gaita e o violão. "O Canto Alegretense", "Céu, Sol, Sul, Terra e Cor", "Eu sou do Sul", "Querência amada", "Os Homens de Preto", "Baile da Mariquinha", "Pára Pedro", "Herdeiro da Pampa Pobre"... são muitas...

Grêmio e Inter. Luis Felipe Scolari, Everaldo, Renato Portaluppi e Falcão. Ronaldinho GAÚCHO, Daiane dos Santos e, mais recentemente, João Derly.

Getúlio Vargas. O amem ou o odeiem, foi o presidente qe governou o país por mais tempo e, sem dúvida, o mais marcante de todos.

Bento Gonçalves, Antônio Souza Neto, Borges de Medeiros, Flores da Cunha, Julio de Castilhos. Brizola e João Goulart. Se incluirmos o período militar: Costa e Silva, Médici e Geisel.

Érico Veríssimo, Luis Fernando Veríssimo, Moacyr Scliar, Mário Quintana.

Teixeirinha, Lupicínio Rodrigues, Elis Regina.

O "Continente de São Pedro". A Serra GAÚCHA, Rio Grande, Pelotas, os Sete Povos das Missões, Uruguaiana, a fronteira com a Argentina, a fronteira com o Uruguai, o litoral e Porto Alegre.

Chimangos e Maragatos. O verde, o amarelo e o vermelho!

20 de setembro de 1835. O dia em que virtuoso povo da província mais ao sul do Império brasileiro decidiu fazer valer a sua vontade. Naquela madrugada começou a nascer a identidade GAÚCHA que todos os citados acima possuem ou possuíram, e sempre ostentaram com um orgulho incontido.

Viva o Vinte de Setembro, o precursor da liberdade!

Essas são algumas das razões que me fazem ter este orgulho de ser gaúcho. De ser, de possuir e ao mesmo pertencer a esta cultura aguerrida e brava. E você, do que mais se orgulha?
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17.9.05

Viver para contar


Entre os livros que terminei de ler recentemente está "El viaje a la semilla - La Biografia" (A viagem à semente - A Biografia, Ed. Alfaguara/Espanha/1997), do escritor colombiano Dasso Saldivar sobre o seu conterrâneo Gabriel García Márquez.

Eu já conhecia, por alto, a obra de García Márquez. Já havia lido "Crônica de uma Morte Anunciada" e começado a ler - sem ter podido terminar, pois era a época do trabalho final da faculdade - "Cem Anos de Solidão". O primeiro, inclusive, me surpreendeu muito, pois a primeira frase do livro é algo como "Santiago Nasar acordou às 10 da manhã no dia em que iria morrer", ou seja, desde a primeira linha o final, no caso a morte, está anunciada. Mesmo assim o livro é fantástico, tem um ritmo constante e prende a atenção até o fim.

Adoro biografias. Gosto de saber quem eram as pessoas que fizeram ou que viveram a história. Além de conhecê-las mais a fundo, isto me permite entender que ninguém nasce sendo aquilo pelo que se tornou famoso. Às vezes, como no caso do escritor colombiano, é o sucesso de uma vida inteira de dedicação, mas outras a própria vida leva o personagem a outro caminho, inesperadamente feliz.

A proposta de Saldivar ao escrever o livro era a de contar "qual a realidade histórica, cultural, familiar e pessoal" do escritor de Cem Anos de Solidão. Não por acaso, a biografia inicia séculos atrás, contando as origens das duas famílias do biografado (os "García" e os "Márquez"), e vem até quase 1970, quando este alcança a consagração com a publicação em vários países do livro que lhe daria o Prêmio Nobel de Literatura.

A literatura de García Márquez é auto-biográfica. Mais do que se basear em pessoas para criar personagens, ele descreve fatos e acontecimetos com uma riqueza de detalhes impressionantes. "Crônica de uma Morte Anunciada", por exemplo, é a história real de Caetano Gentile, um amigo do escritor morto nas mesmas condições que Santiago Nasar, inclusive no que diz respeito aos motivos.

Cem Anos de Solidão, por outro lado, é como se fosse o grande palco onde o autor pode, depois de mais de 20 anos de espera, fazer com que convivessem juntos todos os seus personagens. A origem do livro é anterior a "La Hojarasca", primeiro livro "completo" e publicado de García Marquéz. Neste tempo, contudo, ainda se chamava "La Casa" e não possuía um rumo definido. O amadurecimento foi lento e gradual, conforme o escritor vivia em países como Colômbia, França, Itália, Venezuela, Cuba, Estados Unidos e México.

O envolvimento pessoal de García Márquez com sua "obra maior" foi tanto que durante os quase 2 anos em que a "finalizou" se dedicou somente a ela. Morando em um apartamento alugado, dormia, acordava, escrevia, jantava e voltava a dormir. A única coisa que possuía quando finalizou o livro era uma batedeira, pois todo o resto havia sido penhorado. Ainda assim, no dia em que teve que matar Aureliano Buendía - um de seus principais personagens - chorou copiosamente ao lado da esposa durante horas.

Mais de 10 anos antes de escrever um dos livros melhores livros da história da literatura latino-americana, García Márquez dizia a sua esposa e a seus amigos, enquanto elogiavam seus livros, que o melhor ainda estava por vir. A profundidade da sua pretensão era tamanha que foi necessário que ele trabalhasse anos com cinema para entender que o que queria expressar não seria compreendido de outra forma que não escrita. Tinha que ser algo pessoal, sem a interferência de produtores, diretores ou atores. Ele sabia então que se conseguisse colocar no papel o que ainda nem ao menos conseguia definir, sua literatura se dividiria em antes e depois daquela obra.

"Sua literatura". Pode se dizer que García Márquez encontrou a "sua" literatura. Sua forma de escrever, seus temas e seu ambiente. Isto talvez seja o mais difícil para um escritor. Digo isto pois, na minha humildade de eterno aprendiz, também gostaria muito de viver da escrita. Vejo, ao longo dos anos, mudanças e amadurecimentos na minha forma de escrever, mas ainda não sei se um dia chegarei a ser "alguém". Contudo, essa vivência e este desejo me permitem compreender a entrega e a realização pessoal de homens como Gabriel García Márquez.
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14.9.05

Acabou.


Foi rápido, durou poucas semanas. Quando começou eu não poderia imaginar que me envolveria tanto. Bom, talvez poderia, mas não imaginei. Veio aos poucos, e quanto mais eu me aprofundava nos seus problemas, nas suas qualidades e nos seus defeitos, mais eu me sentia... desafiado, e mais fundo eu queria ir.

Eu já tinha passado por situações semelhantes, mas sabe como é... quando a gente "vê um filme" uma vez, acha que aprendeu o suficiente e não vai deixar acontecer de novo. "Já aconteceu, já estamos vacinados", pensamos. Isto é papo, e nada mais do que papo. Quando menos a gente espera é que a vida vem e nos mostra como estávamos enganados.

Não faz muito tempo que eu notei que isso estava me dominando de novo. Bem, na verdade, notar eu estava notando desde o início, mas como eu adoro aprender errando, eu estava me sentindo bem. Então - pensava eu - por que parar? Agora que acabou é que eu me sinto mal, vazio... mais uma vez.

O que fazer? Ir em frente, ué.. Afinal, tudo indica que amanhã mesmo outra história dessas vai começar. Se vou "cair" de novo? Não sei..

O que eu sei é que foi muito legal. Muitas das pessoas que estiveram comigo, de uma forma ou de outra, durante estes dias, já estavam comigo anteriormente. Algumas desde o início, e apenas uma há bem pouco tempo. É certo que neste último período, enquanto esse desafio me consumia, estas pessoas e eu nos tornamos mais próximos, mais amigos.

Será que eu não sabia que ia acabar assim? Bem, talvez não... afinal, eu graças a Deus não me preocupo com as coisas antes de elas acontecerem. Como se diz por aí, quem morre na véspera é peru de natal...

Se dependesse de mim, definitivamente não teria acabado hoje. Não depende, e amanhã o curso continua com o seu próximo módulo. Pensando bem, se eu realmente quiser eu até posso fazer de novo, mas não é muito inteligente refazer um curso de flash.
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11.9.05

Um certo 11 de setembro...



Certos dias são inesquecíveis. Alguns por serem muito tristes, outros por grandes conquistas. Existem aqueles que nos lembram de alguém, ou de algo que não queremos lembrar. Outros são esperados com tamanha expectativa que sua "marca" na nossa vida supera até mesmo a importância do dia em si. Pode ser algo que diga respeito a todos, como a eleição de um governante ou um título no futebol, ou mesmo coisas pessoais como um emprego novo ou uma namorada.

De todas as formas, a cada dia um novo capítulo da história é escrita. Na maior parte do tempo, contudo, não nos damos conta disso, e só valorizamos os fatos depois que tudo já aconteceu (muitas vezes, inclusive, perdemos a oportunidade de mudar as coisas por causa disso). É claro que existem exceções, e entre estas está o ataque ao World Trade Center, num certo 11 de setembro, em Nova York.

Eu me lembro bem daquele dia. Estava na faculdade e, ao sair para o intervalo, perto das 9:30 da manhã, fomos avisados que o professor de diagramação não viria, e não teríamos mais aula naquele dia. No caminho para casa, liguei para um amigo. Ele me disse que estava assistindo tevê, como se fosse algo importante... Estranhei, e ele comentou que "parece que um bimotor bateu no World Trade Center". Fui até a casa dele, e logo notei que algo estava errado. Estávamos conversando quando o segundo avião bateu na outra torre, condenando ambas a auto-implosão. Informações ainda desencontradas falavam de outro avião que teria atingido o Pentágono, e um que teria sido abatido em pleno vôo na Pensilvânia.

Na hora do almoço fui para casa e acompanhei tudo até o fim do dia. Poucas vezes se teve tão nitidamente a impressão de se estar vendo a história acontecendo "ao vivo". Era a primeira vez na história que os Estados Unidos eram atacados em seu próprio território, e ainda por um inimigo até então ignorado. A luta contra o "terror" que se seguiu, e que se mantém até hoje, sem a devida justificativa, é outra história...

A impressão que se tinha é que a terceira guerra mundial estava dobrando a esquina. Por alguns meses ainda um certo clima de animosidade deixou a ameaça no ar. Hoje sabemos que nada aconteceu, e que provavelmente nem poderia acontecer. Mesmo assim, a ousadia dos terroristas árabes chocava, e fazia crer que eles eram capazes de muito mais.

Ainda é cedo para saber o que aquele ataque significou em termos históricos. Passados 4 anos, o que na época pareceu talvez um dos maiores acontecimentos de todos os tempos, não mais o mesmo "peso" e nem parece ter o mesmo valor. Apesar do ineditismo do ataque visível aos Estados Unidos, não houve novos ataques ou qualquer prosseguimento, e hoje o mundo assiste a luta do governo Bush contra o "terrorismo".

Não estou aqui menosprezando os posteriores ataques a Madrid e Londres, nem dando qualquer tipo de razão aos terroristas. O que estou querendo dizer é que os acontecimentos ganham ou não valor naturalmente e com o tempo, e não por decreto. O que "tinha tudo" para marcar uma guinada na virada para o século XXI acabou se tornando um fato importante, sem dúvida, mas não com a relevância da queda do Muro de Berlin 12 anos antes, por exemplo.

"O mundo hoje está muito diferente de 2001", dirão alguns. Certamente está, responderei eu. Contudo, não considero que tudo seja só por causa daquela terça-feira. Eu acredito que o ataque às torres gêmeas também seja conseqüência de algo anterior. E antes que alguém diga que tudo é conseqüência de algo anterior - o que eu também concordo -, digo que me refiro ao fato de aquela manhã não ser tão determinante para a nossa situação atual, salvo a conseqüente gana norte-americana de caçar um adversário abstrato, numa luta que no fundo guarda mais razões econômicas do que políticas ou sociais.

Por fim é bom lembrar que hoje, 11 de setembro de 2005, a história também está sendo escrita, ainda que vivamos a nossa vidinha sem ter muita noção disso...
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9.9.05

O primeiro centésimo



Cem. Em pouco mais de um ano de Impressão Digital, cheguei a uma centena de textos. Vida - assim mesmo, na sua forma filosófica e abstrata -, gente, planos, medos, amigos, experiências, História, música, e, mais recentemente, política, estão entre os muitos assuntos que eu já tratei. Relendo, pode-se perceber, por exemplo, que na virada de 2004 para 2005 eu estava bastante desanimado, quase depressivo.

Por outro lado, março deste ano e novembro do ano passado são, talvez, os pontos altos desta estrada. Nestes dois meses estão vários dos textos que eu mais gosto. Independente do assunto, hoje eu mesmo me surpreendo vendo como fui feliz tentando expressar alguma coisa, de forma clara e agradável para se ler.

Outras vezes, a idéia foi boa, o tema também, mas o texto não fluiu. De um modo geral até é bom mas, para mim, alguns poderiam ter sido muito melhores. Talvez eu tenha razão, talvez minha auto-cobrança, sei lá...

Sempre que eu pensava em um assunto sobre o qual escrever aqui, eu anotava para lembrar depois. No início isto até funcionou. Quando eu queria escrever, mas não sabia sobre o que, eu ia lá, escolhia um dos assuntos e dissertava. Depois, os textos começaram a sair mais naturais, e eu acabei abandonando a lista. Quem sabe eu deva buscá-la novamente na próxima vez que ficar tanto tempo sem escrever...

Sem. Sem emprego, desde que o Impressão Digital começou. Sem namorada, há muito mais tempo. Sempre na luta, sempre correndo atrás. Sentindo fome, e sentindo gana de ser alguém. Sentado e refletindo, quase diariamente. Sem tempo para tudo, com bastante tempo para nada.

É isto. Cem Impressões Digitais. E certamente aí virão muitas outras, pois enquanto o mundo girar e as coisas continuarem acontecendo, novas impressões surgirão, antigas serão resgatadas do baú de lembranças, ou ainda outras velhas e esquecidas retornarão sob um novo ponto de vista.

"Cem" dúvida!!
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